O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

Compromisso de membrasia

                                   Na realidade portuguesa (certamente não só) muitas igrejas locais defendem a inclusão de alguém nas suas fileiras pelo ato batismal, tornando-se formalmente seu membro; e, consequentemente, a Ceia como afirmação da comunhão com os outros membros.

         A verdade é que as igrejas locais fazem parte da Igreja Universal; assim, os crentes, membros da Igreja Universal, devem tornar-se membros das igrejas locais. O compromisso de cada membro com a universalidade da igreja só será consequente pela sua vivência na igreja local.

O batismo nas águas e a Ceia do Senhor partem, do compromisso do crente com as igrejas universal e local de mãos dadas. Se o batismo é, diz Wayne Grudem, “um símbolo do início da vida cristã… a ceia do Senhor é claramente um símbolo da permanência na vida cristã.”[1] Tão solene é este símbolo, que deve ser interiorizado de forma a que a atitude do participante tenha em conta um exame da conduta e motivos espirituais do próprio, considerando a sua atitude para com o Senhor e também para com os outros membros do Seu corpo. Sim, porque o “corpo universal” faz-se representar nos e pelos “corpos locais”.

Creio que não considerar a eucaristia virtualizante ou abençoadora não nos obriga a desvalorizar o ato que figura a unidade do corpo de Cristo, que, tal como se pode ler em “A Igreja, Corpo de Cristo e o Testemunho do Senhor”:

é… a única base sobre a qual assenta a mesa do Senhor… pertence exclusivamente, aos verdadeiros crentes, resgatados pelo sangue de Cristo, porque a «comunhão do sangue de Cristo» e «a comunhão do corpo de Cristo» só a eles pertencem, e ali se encontram como

membros do único corpo. Expressam esta importante verdade, participando de um só pão.[2]

Este direito a integrá-la traz, outrossim, deveres! Afirma dramaticamente Michael Dusing, ser pior não participar na Ceia que fazê-lo de modo indigno, e ainda “Recusar-se a participar é negar o valor do sangue de Cristo e não querer ver o corpo de Cristo nos outros crentes (cf. 1 Co 10.16)”.[3] Assim, além dessa consciencialização de sermos um corpo em Cristo, ou melhor ainda, sermos o corpo de Cristo resta-nos a também importante consciência de assumirmos um tipo de cristanismo “igualitário” – no pragmatismo do dia a dia urge uma unidade de vivência e propósito.


[1] Grudem, 1999, p. 842

[2] A Igreja, Corpo de Cristo e o Testemunho do Senhor, 1982, p. 4

[3] Dusing, 1996, p. 762; vide nota 75

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