O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

ANÁLISE BÍBLICA DA CEIA DO SENHOR

           Após uma vista de olhos sobre as opiniões e os dogmas que desde a Igreja Primeva até hoje se formaram é salutar focar e analisar alguns textos bíblicos que nos poderão orientar e, quiçá, conduzir a uma conclusão sobre “quem deve participar na Ceia do Senhor”.

         A análise bíblica contemplará o valor da Páscoa no Velho Testamento, procurando encontrar possíveis princípios e normas a transferir para a eucaristia no Novo Testamento.

No mesmo alinhamento, procurar-se-á no batismo nas águas – como ordenança – a par da Ceia uma relação com esta. Sendo ambas declaradamente instituídas pelo Senhor, decerto que não se poderá sobrevalorizar nenhuma sob pena de detrimento da outra. Julgo que cada uma sairá reforçada se se provar haver relação de valor entre ambas – visto na obediência do crente como indivíduo em prol da pujança da Igreja como colectivo.

         Dos textos a analisar o de 1 Coríntios 11:2-34 merecerá indubitavelmente destaque e comentário. Nele encontraremos, decerto, o requerido espírito de família da Páscoa judaica aglutinado ao memorial de expiação do Senhor.

         Páscoa judaica: princípios transferíveis para a Ceia do Senhor

           Alguns aspetos da Páscoa judaica suportam em si alguns tipos ou figuras que possibilitam a transferência de princípios para a Ceia do Senhor. O professor Reginald Hoover construiu um quadro onde se projetam as comparações entre a Páscoa e a Ceia do Senhor, com evidente “aplicação espiritual” a esta.[1]

         A Ceia do Senhor, pegando na perspetiva de Hill e Walton, “baseia-se no ritual da Páscoa do ponto de vista de celebração memorial (v. Lc 22.7-30).”[2] É verdade que Jesus utilizou os elementos pertencentes à festa da Páscoa; e foi a partir deles, que de forma natural fez a aplicação objetiva do simbolismo-tipo ao Seu corpo e Seu sangue. Convém frisar que o Senhor, tal como durante séculos os chefes de família fizeram, oficia exatamente como estipulado.

         Uma pequena nota! Digo princípios transferíveis, valorizando o ensino tipológico determinado pela dogmatização possível vista na praxis de Jesus, e não exatamente – o que tem sido alvo de disputas e discordâncias – os elementos figurados na Páscoa… e depois na Ceia do Senhor. E.g., o pão eucarístico deve ou não ser confecionado com fermento? O sumo de uva pode ou não ser fermentado (vinho)? Até que poderíamos – ainda que pareça forçado ou ridículo – considerar também os outros elementos, procedimentos e modus muito especificamente destinados aos israelitas nas ordens expressas por Deus em Êxodo 12!             Para se associar os princípios inerentes à tomada dos elementos da Páscoa judaica e à Ceia instituída pelo Senhor – conforme relatam os evangelhos e é decalcada para a eucaristia coríntia – foquemos no significado que cada um dos quatro cálices pascais nos auferem. Vejamos o ritual…


[1] Vide Anexo C: “A Santa Ceia”.

[2] Hill, 2006, p. 107

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