O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

Significado e ordem

                          Considero apropriado e bem conseguido o significado da eucaristia apresentado em forma de corolário pela Enciclopédia temática da Bíblia. A Ceia do Senhor…

1. Prefigurada (Êxodo 12:21-18 e 1 Coríntios 5:7-8)

2. Instituída (Mateus 26:26 e 1 Coríntios 11:23)

3. Objetivo (Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24, 26)

4. Participação

  a) necessidade de autoexame (1 Coríntios 11:28, 31)

  b) digna, com novo coração e em novidade de vida (1 Coríntios 5:7-8)

  c) dos completamente separados para Deus (1 Coríntios 10:21)

5. Observada sempre pelos primeiros cristãos (Atos 2:42; 20:7)[1]


         Este pequeno apanhado de argumentos é suficiente para uma definição bíblica cabal. A seguir, e de forma objetiva, Hans Legiehn faz uma interpretação teológica/prática que açambarca a plenitude do ato e propósitos a ele atinentes. Quatro significados possíveis:

1 – Ceia memorial. Sendo o pão e o cálice símbolos do corpo e do sangue do Senhor, tomados, lembram visível e objetivamente, os seus participantes da morte e sofrimentos do Senhor. É lógico que celebrem apenas aqueles que aceitarem e vivam unidos a Cristo, lembrando-se d´Ele.

2 – Ceia comungante. O pão e o cálice são símbolos da união e da comunhão com o Senhor e os outros crentes. Sendo a Ceia a expressão da união da cabeça e seus membros, deve tomá-la quem partilha ou está incorporado (comunga) do Corpo de Cristo, a Igreja.

3 – Ceia esperançosa. O Senhor, na instituição desta dirige a atenção de Seus discípulos para o futuro: “não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai.” (Mateus 26:29); o que Paulo reforça no seu ensino: “anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11:26). Parece claro que os tomadores desta Ceia serão os que verdadeiramente possuem a esperança da vinda d´Ele e a expetativa de tomar a ceia por Ele preparada.

4 – Ceia declarante – porque declara a comunhão que temos com Ele e serve de anúncio,   lembrete da Obra redentora por Si realizada. A verdadeira testemunha da mensagem          anunciada pela tomada dos símbolos só pode ser quem experimentou o que anuncia.[2]

Lições nos evangelhos sinóticos

Em “Princípios transferíveis para a Ceia do Senhor” defendi que há princípios inerentes à tomada dos elementos da Páscoa judaica e à Ceia instituída pelo Senhor, conforme relatam os evangelhos e é posteriormente sequenciado na Ceia em Corinto.

Fiz uso dos trâmites do ritual judaico para, através da toma dos quatro cálices cerimoniais, se reconhecerem esses princípios e extrairem lições de conduta através dos evangelhos sinóticos. Os mesmos constroem como que uma ponte entre as promessas dadas por Deus a Moisés, em Êxodo 6:6-8[3], cujo cumprimento se iniciou pela Páscoa (Êxodo 12), e o estabelecer da eucaristia na Igreja Primeva, passando obrigatoriamente pelo emblemático texto profético de Jeremias: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá.” (Jeremias 31:31). Como Stuart e Fee bem indicam:

(Mt 26.28; Lc 22.20; 1 Co 11.25) estão relacionados com a instituição da Ceia do Senhor,             e parecem representar alusões genuínas, e não necessariamente citações, a Jeremias 31.31.   A partir disso, concluirá que, além de outras coisas, a Ceia do Senhor constitui um lembrete       do cumprimento do tipo de profecia feito em Jeremias 31.31.[4] Nas suas referências cruzadas a Bíblia de Estudo Pentecostal associa Mateus 26:28 a Jeremias 31:31[5], como que a dizer “o concerto novo previsto por Jeremias cumprir-se-á em Jesus, pela Sua morte, simbolizada pelo vinho pascal”. Nos textos sinóticos paralelos – Marcos 14:24 e Lucas 22:20 – Jesus também associa a tomada do cálice (vinho) ao sangue a verter na Sua morte: “isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento”. Esse vinho simboliza a realização de uma nova aliança – novo testamento – de Deus com Israel e Judá (profetizado em Jeremias) e os gentios (abertura dada nos evangelhos!).


[1] Enciclopédia Temática da Bíblia., 2008, p. 76

[2] Legiehn, 1962, pp. 127-130

[3] O Senhor reafirma o pato feito com os patriarcas (v. 4); volta a assegurar a Moisés que escuta o gemido do povo e que não se esquecera do pacto (v. 5) e anuncia o que fará: 1 – “vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios” (v. 6a), 2 – “vos livrarei da sua servidão” (v. 6b), 3 – “vos resgatarei” (v. 6c), 4 – “vos tomarei por meu povo” (v. 7a), 5 – “serei vosso Deus” (v. 7b), 6 – “vos levarei à terra” (v. 8a) 7 – “vo-la darei por herança” (v. 8b).

[4] Stuart, 2008, pp. 80, 81

[5] Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995, p. 1445

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26

× Featured Image