O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

O PARTICIPANTE DA CEIA DO SENHOR

Comentário a 1 Coríntios 11:2-34

         O relato mais detalhado da Ceia do Senhor, 1 Coríntios 11:2-34, ocupa deveras um espaço decisivo na compreensão de conceitos elementares sobre tão importante ordenança. Muitos comentários há… mas julgo que preliminarmente devemos ler o texto tendo em consideração que:

         1. Não contém ensino normativo sobre a Ceia.

         2. Foi escrito para corrigir a praxis, a partir de princípios a contemplar na

Ceia–modelo que o Senhor instituíra.

         3. Ainda que corretivo o ensino de Paulo é apresentado pela positiva; ou

seja, não proíbe a tomada do pão e do vinho, mas apela à atitude digna.

         4. Alerta para as consequências drásticas do tomar a Ceia incorretamente.             A atitude correta de cada tomador é determinante para que o faça para bênção (e não para os três tipos de disciplina que os coríntios então experimentavam, conforme v. 30 indica).

O escritor Sidlow Baxter divide este capítulo em duas partes distintas:

os versículos 2 a 16 como sendo a resposta de Paulo à atitude dos homens e mulheres na

assembleia – a que designaremos por “atitudes no culto público”, e os versículos 17 a 34

sobre o comportamento geral das pessoas à mesa do Senhor[1]
– que definiremos como “comportamentos na Ceia.

         O contexto que dominava o ambiente da tomada da Ceia do Senhor era de festa, denominada “festa do amor”, refeição fraternal para a qual todos contribuíam, sem distinção social. No entanto, o amor havia esfriado entre os crentes, porque cada um ficava com o que havia trazido, o que suscitava distinção acentuada entre ricos e pobres. Uns passavam necessidade e outros tinham demais e embriagavam-se (vv. 21 e 22), formando-se até pequenos e discriminatórios grupos (vv.18 e 22). Paulo recomendou então que as festas fossem nos lares: “Não tendes, porventura, casas para comer e para beber?”, v. 22; “… se algum tiver fome, coma em casa…”, v. 34.

         É à volta de duas repreensões que o apóstolo intenta normalizar a eucaristia coríntia. William MacDonald denuncia-as:

1 – A primeira causa de repreensão é a existência de divisões ou cismas… havia “panelinhas” ou fações dentro da congregação…

2 – A segunda repreensão diz respeito aos abusos associados à ceia do Senhor. A conduta dos cristãos ao se reunirem para celebrar a ceia do Senhor era tão deplorável, que Paulo afirma a impossibilidade de eles se lembrarem do Senhor do modo que ele havia determinado.[2]

            Afirma o v. 20: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia do Senhor.”


[1] Baxter, 1995, p. 100

[2] MacDonald, 2008, pp. 501, 502

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