UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

A questão que determina a postura pró ou contra a atualidade dos dons prende-se, em grande parte, com a definição do termo “perfeito” (I Coríntios 13:10)!…

         Jack Deere defende a validade e a utilidade dos dons,

mencionando o texto de I Coríntios 1:7: “… nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” e baseando-se em três frases do capítulo 13, que devem ser vistas conforme se encontram interligadas no texto: “quando vier  o que é perfeito…” (v. 10); quando virmos “face a face” e “conhecerei como também sou conhecido.” (v. 12). Para ele “só pode significar a volta do Senhor.” “Mas,  quando vier o que é perfeito[17], então, o que o é em parte será aniquilado.” (I Coríntios 13:10). À guisa de resumo do capítulo 10 de seu livro, o autor apresenta razões por que considera os dons atuais e operantes até ao retorno de Jesus: Deus doa os dons visando o fortalecimento da Igreja; ordena que desejemos e procuremos praticar os dons, principalmente o de profecia e que não proibamos falar línguas. O valor atribuído por Paulo ao dom de línguas indica a sua grande valia no desenvolvimento de intimidade com Deus; e a analogia do corpo humano apresenta a necessidade dos dons para o crescimento saudável do Corpo de Cristo – a Igreja. [18]

         Os dons só cessarão na volta do Senhor por, a partir daí, já não serem necessários.

         Milagres, dons de curar, socorros, governos e variedades de línguas estão colocados nas igrejas depois de apóstolos e mestres (ver 1 Coríntios 12:28). Grant questiona:

“Tiraria Deus os dons do meio da Igreja na mesma ocasião em que os concedesse? O capítulo 13 de I Coríntios mostra que a ciência (e não só) como dom podia cessar ao mesmo tempo que as línguas (v. 8). A ciência não cessou, senão, como saberias tanto?”[19]

Esta é uma questão pertinente. Os dons espirituais são distintos do fruto do Espírito? O fruto do Espírito é o resultado do processo do crescimento espiritual e brota de nosso interior. Os dons são dádiva de Deus, para ação direta de edificação da igreja. E ainda que o mais importante seja o fruto[20], é exigível um equilíbrio entre o que somos (a causa) e o que fazemos (as consequências)! “…procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente” (I Coríntios 12:31).[21]


[17] ou, a perfeição.

[18] Jack Deere (1995, pp. 140-142 e 143).

[19] Grant (1964, p. 103).

[20] O fruto é o amor, que vê seus resultados figurados em oito outros frutos.

[21] O próprio capítulo sobre o amor (13) surge entremeando a regulamentação dos dons nos respetivos capítulos 12 e 14.

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