UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

Regulamento do falar línguas

         Na prática do falar línguas em público, é exigível a respetiva interpretação (o intérprete e os ouvintes podem entender na sua própria língua a mensagem de Deus). Ao contrário da prática das línguas no foro particular, em que “o que fala língua estranha… fala… a Deus,…ninguém o entende” (I Coríntios 14:2). Com a adequada seriedade e como alerta, os exemplos de toques distintos de instrumentos musicais e do toque adequado de trombeta (I Coríntios 14:7 e 8) são usados para reclamar a necessidade da composição ordenada, consciente, e consequentemente entendida, das línguas para a compreensão da mensagem. Há que orar “para que a possa interpretar” (I Coríntios 14:13), para que as palavras tenham “significação” (I Coríntios 14:10). A não ser assim, estar-se-á “como que falando ao ar” (I Coríntios 14:9).

         É no uso complementar do dom de interpretação das línguas que a variedade de línguas alcança o seu alvo: “a igreja receba edificação” (I Coríntios 14:5); até mesmo cumprem a finalidade da profecia: “o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas, a não ser que também interprete” (I Coríntios 14:5).

         Como nos demais dons, também neste, o Espírito Santo age “repartindo… a cada um como quer” (I Coríntios 12:11). Quem fala línguas deve também interpreta-las (I Coríntios 14:5); o mesmo é incentivado a orar, pedindo “que as possa interpretar” (I Coríntios 14:13). No entanto, é sábio e espiritual aguardar algum tempo, permitindo assim a eventual participação de outro.

         A atitude, ao considerar a mensagem, não deve visar a pessoa que a pronuncia mas o seu teor. O julgamento (I Coríntios 14:29) é feito na base dos valores da Palavra de Deus, contudo, há que ter a consciência que o tipo de linguagem e forma de expressão estão sujeitos às caraterísticas pessoais de quem pronuncia a mensagem.

         A pública enunciação em línguas tem limite: “se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quanto muito, três” (I Coríntios 14:27). Parece que tanto com a profecia como com as línguas e respetiva interpretação, o número máximo de pronunciações seja três (I  Coríntios 14:27 e 29). É exigida a interpretação das línguas: “o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar”(I Coríntios 14:13)… “também interprete” (I Coríntios 14:5); “se alguém falar língua estranha… haja intérprete” (I Coríntios 14:27). Sabendo que não há edificação coletiva sem a correta interpretação das mesmas, é melhor “falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida.” (I Coríntios 14:19).            Resta, como em qualquer prática, que haja decência e ordem: “… faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40). Há regras para a manutenção do culto público edificante, onde a exortação paulina açambarca os comportamentos, na festa agápica[52] e a manifestação ordeira, consciente e digna na prática dos dons espirituais – neste particular, as línguas e sua interpretação.


[52] Ou festa do amor. Os crentes encontravam-se para manifestarem o seu cuidado e amor, defraudando alguns esta expetativa pelos abusos e desprezo para com os demais.

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