UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

INTRODUÇÃO

O culto cristão sempre existiu, ainda que de forma diversa, conforme as culturas e os lugares onde é praticado. Ao longo da história ocorreram mudanças, tornando-se a forma de culto variável, respeitando as ênfases de grupos organizados específicos.

Ênfases doutrinárias diferentes e diferendos entre pessoas ou grupos, provocaram separações, que agudizaram as diferenças, provocando demarcações e afirmações. Houve como que necessidade de defender o que os distinguia, criando e acentuando modos característicos.

Em termos de liturgia, bem como em tantos outros aspetos, a área dos carismas (dons), no conhecimento da Pessoa do Espírito e Sua respetiva ação, têm sofrido muitas críticas e até desprezo. Verdade é que, muitas vezes, pela prática de doutrinas extremadas, alguns foram repelidos, em vez de conduzidos ao questionamento e a uma observação bíblica coerente e correta. Em resultado desta atitude surgiu o, muitas vezes depreciativo, termo “pentecostal”.

Como resultado de concílios, reuniões e estudo aprofundado das verdades bíblicas, organizou-se a «doutrina do Espírito Santo». Muitas e muitas obras refletem o labor de estudiosos da Bíblia e outras que são relatos de experiências e biográficos.

Como em qualquer outra área, o mau uso e as irregularidades têm, por vezes, patenteado o afastamento dos dons espirituais no culto cristão. Estes têm sido entendidos por uns, como dons naturais disponíveis ao homem e por outros, como manifestações do carisma de Deus.

Uma área de maior dificuldade, muito criticada e polémica, é sem dúvida a faculdade de se falar línguas estranhas[1] – diferendos têm-se perpetuado entre os que as pronunciam e os que as ouvem.  A perspetiva em que os dons são carismáticos favorece o falar línguas como carisma também. Tenciono investigar fontes históricas e bíblicas que provem existir bases bíblicas para o uso dos referidos dons. Ainda pretendo apresentar bases bíblicas para o uso correto das línguas, nas reuniões da igreja, sabendo que a legitimização da sua prática passa por uma hermenêutica sóbria.


[1] Será usado o termo “estranhas”, conforme a tradução da Bíblia que utilizarei: ARC (João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida). Nos textos surge em itálico devido à necessidade da introdução de palavra possível ao sentido que emana dos originais, apontando para a ideia de “desconhecidas” de quem as fala.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

× Featured Image