Na minha perspetiva, este fenómeno espiritual não se pode cingir só a uma expressão do subconsciente nem à coincidência de um eventual ouvinte conhecer as sílabas, palavras ou frases na sua própria língua. Paulo refere a necessidade de interpretação das línguas (I Coríntios 14:5), visando o processo completo de compreensão das tais; para ele isto é obrigatório para que o presente perceba e declare a ação divina em seu favor, pela revelação do seu íntimo (I Coríntios 14: 24 e 25).
Estes atos de comunicação e sinal de confirmação para os não crentes (I Coríntios 14:22) servem aos indoutos, aos infiéis, que precisam entender as ações de graças e o conteúdo das línguas (1 Coríntios 14:16 e 23).
O falar em línguas nas evidências do batismo no Espírito Santo
A experiência do batismo no Espírito Santo resulta de um relacionamento vital com Jesus. Ele tinha recebido a promessa da parte do Pai e a tinha entregue a Seus discípulos (conforme acontecimentos relatados em Atos 2). Posteriormente, e no relato da experiência em casa de Cornélio, Pedro descreveu a receção do Espírito Santo por Cornélio e os demais em sua casa, como: “caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio” (Atos 11:15), o que sugere provas evidentes. O vento e o fogo (Atos 2:2 e 3) eram demonstração audível e visível de intervenção sobrenatural, o que sensibilizou/alertou os discípulos para a concretização da promessa do Pai. Já no caso dos samaritanos (Atos 8), há uma ausência de qualquer referência ao fenómeno das línguas; e, ainda que não se possa categoricamente afirmar que houve o fenómeno glossolálico, houve sim, pelo menos, uma prova externa do recebimento do Espírito.[39] Em Cesaréia, na casa de Cornélio (Atos 10), o preconceito do Evangelho ser de exclusividade judaica caiu por terra: “Reconheço…que Deus não faz aceção de pessoas” (v. 34), afirma Pedro categoricamente. Em sua defesa, em Jerusalém diante dos irmãos judeus, na abertura do ministério aos gentios, Pedro alega que “caiu sobre eles o Espírito Santo” (Atos 11:15). Mas qual a evidência? “… como também sobre nós ao princípio” (Atos 11:15). A “forma”, o padrão, está em 10:45 e 46 – “o dom do Espírito Santo se derramasse… Porque os ouviam falar em línguas…”
[39] “Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo” (v. 18).