UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

Irregularidades e abusos dos dons espirituais

         É postura geral da “linha pentecostal” que o batismo no Espírito primariamente potencia o testemunho da igreja, e, como consequência, ou melhor, como demonstração vivida da dinâmica da mesma, concede-lhe os dons espirituais.

         O ministério eclesial necessita da “injeção” dos dons que o capacitem no desempenho do seu papel edificador. Para o exercício do culto público, e após planeamento consciente e sob a direção do Espírito Santo, os leigos necessitam de motivação para a participação no coletivo, através de disponibilidade no uso dos dons espirituais. O papel proativo do líder, através duma liderança confiante e desafiadora, instila nos leigos o desejo de participação ativa no culto, permitindo que o Espírito trabalhe por seu meio. Há que ser exemplo e estímulo!

É interessante a perspetiva de Lewi Pethrus, ao defender que

em Romanos 12 os dons são apresentados primeiramente e só depois os ministérios. Escreve que “os dons são a condição para os ministérios” e que “as pessoas recebem um ministério e podem cumpri-lo por meio do dom que receberam.”[22]

         O grau de importância que os carismas ocupam na ação energizadora da igreja criou adeptos fervorosos,  outros alheios e até reacionários (julgo que em grande parte devido a abusos no modus operando, mais do que a uma posição bíblica esclarecida). Como em demais matérias, abusos se manifestam na emoção das manifestações carismáticas. Numa análise à correção paulina é de notar que a mesma não se prendia com a genuinidade dos dons, como parecem alguns opinar, colocando em questão a sua validade, o prazo e até a utilidade para um tempo e circunstâncias específicas e limitadas. O ensino dos capítulos 12 a 14 de I Coríntios baseia-se no fato dos coríntios gozarem dos verdadeiros dons, os quais desempenhavam erradamente. O tom escriturístico do apóstolo,pressupõe uma ratificação da realidade e ação do Espírito pelos dons. Agora, o comportamento desordenado da igreja justificou o apelo:”…faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40). Os abusos consistiam num excesso da expressão de línguas em reuniões de cariz público, a sua alocução, sem que houvesse interpretação, e considerado acima de qualquer censura e sujeição ao regulamento do coletivo. Só o amor e a maturidade poderiam estabilizar o ambiente. O equilíbrio implica no envidar de esforços para regulamentar a prática pelo ensino bíblico adequado. O grande problema é que devido ao abuso se desprezem as dádivas divinas.


[22] Lewi Pethrus (1982, pp. 79 e 94).

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