UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

ENQUADRAMENTO DOS CAPÍTULOS 12 A 14 DE I CORÍNTIOS

Os dons como equipamento da Igreja

         No propósito de enquadrar os capítulos 12 a 14 de I Coríntios no contexto da epístola, e de valorizar a sua interrelação, os dons devem ser considerados como o equipamento dinâmico pelo qual o Espírito Santo quer preparar a Igreja para servir a Deus e aos homens. São apresentados exemplos práticos da vida de Israel, que frisam a necessidade de obediência ,por parte do povo de Deus, em resposta aos Seus cuidados e milagres (capítulo 10). O capítulo 11 relata o comportamento no culto público. Passando depois para a necessidade de regularização do exercício dos dons, nesse mesmo culto (capítulo 12). É verdade que o capítulo 14 continua na senda do exercício dos dons – com ênfase na profecia – contudo, antes (capítulo 13) é imperioso o controlo, ou melhor, a motivação dessas manifestações pelo amor. O capítulo 12 oferece-nos o modelo para o exercício dos dons, o capítulo 13 mostra o equilíbrio que o amor provoca no seu serviço eficaz e o 14 trata de regulá-los.

No capítulo 12 é possível encontrarmos três listas de dons.[23] A primeira (12:8-10) apresenta nove dons; que plausivelmente serão classes de dons, podendo cada um manifestar-se de várias maneiras. Esta lista é, por muitos, considerada completa. Assim sendo, os demais dons que surgem noutros lugares devem ser considerados expressões ou explicação dos mesmos. Os termos “a um” e “a outro” (vv. 7-10) anunciam uma ênfase, não do tipo ou característica singular de cada dom, mas na proveniência dos dons, como sendo do Espírito Santo. Ainda sobre os dons em si, parece também que Paulo se interessou mais pela variedade que propriamente pela classificação da sua categoria – sintomática é a colocação em ordem diferente dos dons nas suas diferentes listas. A segunda lista (12:28) apresenta oito dons. Destes, três não são referidos na primeira lista, inclusive as pessoas usadas. A terceira (12:29, 30) revela sete dons, que se repetem nas duas primeiras listas.

Regras para a manutenção dos dons

         Os capítulos 12 e 14 de I Coríntios estabelecem regras para o exercício dos dons do Espírito – tanto na vida particular, como especialmente, nos cultos públicos de adoração. Partindo-se dos textos: “como quer” (I Coríntios 12:11) e “decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40), os dons, os conceitos carismáticos podem ser resumidos e ordenados conforme os capítulos 12 e 14.[24] Estes capítulos declaram enfaticamente a necessidade, mas também o bom regulamento dos dons edificantes do Espírito, igualmente para a igreja hodierna.

         Como prova de que o apóstolo Paulo não depreciava nem rejeitava, antes restringia, ou melhor, regulamentava a manifestação das línguas, é só ver as suas declarações positivas no texto de I Coríntios 14:1-39:

“procurai  com zelo os dons espirituais… o que fala língua estranha…    fala… a Deus… em espírito fala de mistérios… O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo… eu quero que todos vós faleis línguas estranhas… porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas, a não ser que também interprete, para que a igreja receba edificação… se eu orar língua estranha, o meu espírito ora… Orarei com o espírito…cantarei com o espírito…realmente  tu dás bem as graças… Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos… Está escrito na lei: por gente doutras línguas e por outros lábios, falarei a este povo… De sorte que as línguas são um sinal… para os infiéis… se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete… não proibais falar línguas.”


[23] Para uma combinação destas com as de Romanos 12:6-8 e de Efésios 4:11 verificar o Anexo A: “Dons Espirituais para a Igreja”.

[24] Ver Anexo C: “Conceitos Carismáticos”.

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