Parto, contudo, com a consciência das diferenças de entendimento sobre tão importante aspecto da vivência cristã, bem como do risco de arvorar-me em dogmático, em aspetos permeáveis a suscetibilidades diversas e de difícil posição inflexível.
Vou apenas tentar contribuir para uma análise livre e cuidadosa do tema.
Várias questões servirão de guia à pesquisa desta temática.
1. O batismo no Espírito Santo é a porta aberta para o uso dos dons carismáticos?
2. Os carismas foram pertença exlusiva do culto da Igreja Primeva, ou atuais hodiernamente no seu exercício?
3. Haverá ou não diferença entre falar idiomas humanos e a prática de falar línguas, como dom espiritual?
4. Falar línguas é prova evidente do batismo no Espírito Santo?
5. Qual a diferença entre a sua prática no culto público e na devoção pessoal do crente? Este estudo, na procura de diretrizes para o uso das línguas, delimita-se ao foco dos capítulos 12 a 14 de I Coríntios, como texto chave. Serão procuradas orientações práticas na correção do apóstolo Paulo à igreja em Corinto.
O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
COMO CUMPRIMENTO DA PROMESSA DO PAI À IGREJA
Nas realidades do crescimento evangélico, com a ajuda de estatísticas, tem sido notado um crescimento maioritário do movimento pentecostal. Este facto tem atraído a atenção de líderes eclesiásticos e não só! Alguns, afirma John Wyckoff, até o consideram “uma terceira força na Cristandade”[2], a par do catolicismo e do protestantismo. A ênfase é dada ao batismo no Espírito Santo.
O batismo no Espírito distinto da conversão
Examinando o
texto de Atos, capítulo 2, onde o “fenómeno pentecostal” pôde ser experimentado
pela comunidade que aguardava o cumprimento da promessa do Pai, encontramos
dois distintos grupos: os cento e vinte e os que passaram a integrar os salvos
(quase três mil pessoas). Uma nova realidade se verifica. Ambos os grupos
recebem o Espírito Santo. Poder-se-á perguntar:- A experiência é a mesma ou
diferente?
[2] Citando Buner e Dunn entre outros (Horton, 1996, nota 3, capítulo 13).