Está lançado o repto: – o crente precisa de ser e viver cheio do Espírito! Os relacionamentos e o culto são reflexo notório do enchimento do e com o Espírito Santo. Usados nos dons[8], contudo “carnais”[9], os coríntios necessitavam “viver cheios do Espírito”! O verdadeiro distintivo “pentecostal” deve estar na dinâmica do modus vivendi e nos relacionamentos evidentes de um carácter burilado pelo Espírito.
VALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS
Juntando as listas que os textos de Romanos 12:6-8 e Efésios 4:11 perfazem com a de I Coríntios 12:8-10, 28, 29 e 30, poder-se-á apostar num total de 18 a 20 dons.[10] Ainda que alguns coincidam entre si, outros surgem com funções diferentes em diversas passagens. Por exemplo, Romanos 12:8 relaciona a exortação a um dom distinto, enquanto que em I Coríntios 14:3 surge com uma função profética. Em Efésios 4:11 pastor e mestre aparecem como um só dom, mas em Atos 13:1 os mestres surgem sós, sem os pastores e junto dos profetas. Dons são literalmente dons! A sua distribuição é determinada pela vontade e soberania de Deus: “graça que nos é dada” (Romanos 12:6), “Ele… deu” (Efésios 4:11) e “pôs Deus” (1 Coríntios 12:28). Deus deu-nos ministérios, e é nos tais que devemos concentrar nossa atenção e esforços (1 Coríntios 12:28-31) – “pôs Deus na igreja” (v. 28); “procurai com zelo os melhores dons” (v. 31). Esta é a nossa responsabilidade: servirmos com fé (somos o veículo dos dons), visando sempre a edificação da igreja (o alvo dos dons) e a glória de Deus (o dador dos dons).
Natureza dos dons
Qual a natureza dos dons? Como são exercidos os dons? Por seu intermédio, Deus manifesta-se aos seres humanos e através deles. Os crentes submetem a Deus todo o seu ser, com todas as inerentes qualidades e características. O Espírito capacita, segundo Seu desígnio sobrenaturalmente, cada um no aproveitamento e melhoramento dos dons naturais (porque não?!) e age pelos doados sobrenaturalmente. Não há necessidade de busca desaforada da diferenciação dos dons naturais, dos carismas, mas sim de focar no aproveitamento de oportunidades dadas para o desenvolvimento “natural” de ações individuais edificantes.
[8] “… nenhum dom vos falta…” – 1 Coríntios 1:7.
[9] Do termo grego sarkinoi. Tal era refletido na inveja e nas contendas que havia entre eles (1 Coríntios 3:1-4).
[10] Stanley Horton (1999, p. 227) utiliza informação de George Ladd (Theology of the New Testament, pp. 534, 535). Também Reginald Hoover (1999, p. 108) apresenta um quadro com um total de 20 “Dons para a igreja”; inclui salmodiar/cantar e revelação. Ver Anexo A: “Dons Espirituais para a Igreja”.