UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

As línguas faladas no dia de Pentecostes eram desconhecidas de quem as falava, mas entendidas pelos ouvintes. A vinda destes judeus dispersos e estrangeiros prosélitos serviu de oportunidade para que o Evangelho alcançasse locais remotos.[48] Ainda que importante, este não foi o propósito principal das línguas no início da igreja primitiva. Como Brumback afirma: “Não falavam línguas porque se ajuntava a multidão, mas o povo se aglomerou porque os discípulos falavam línguas.”[49] Este ato atraíu a multidão, sendo o seu teor o louvor a Deus pelas suas grandezas (Atos 2:11). Enquanto Pedro anunciava o Evangelho numa língua entendida pelos ouvintes, pelo menos cerca de três mil pessoas ouviram, entenderam e responderam positivamente à sua pregação.

         A espera dos discípulos pelo derramamento do Espírito devia-se à necessidade de capacitação para o ministério de alcance mundial, que era a pregação do Evangelho a todas as pessoas (Marcos 16:15). O poder do Espírito capacitá-los-ia a testemunhar com audácia a partir de Jerusalém (Atos 1:8). Ralph Riggs faz a apologia de

ser apropriado que em vez do uso da sua língua materna neles se demonstrasse o poder de falarem outras línguas. No Dia de Pentecostes estavam presentes pessoas de quinze nacionalidades que entenderam perfeitamente a mensagem proferida.[50]

         “Como pois os ouvimos, cada um na nossa própria língua em que somos nascidos?” (Atos 2:8). As línguas tornam-se evidência deste batismo depois de “a igreja se internacionalizar”. A visão de línguas sobre cada um dos presentes cheios do Espírito (Atos 2:3), o falarem todos línguas (v. 4) com o impato junto das pessoas de outras línguas, contribuiu para a “formalização” e “confirmação” do impreterível poder, no cumprimento da missão evangelizadora e para o “atestado” do enchimento, batismo, com tal poder, o que veio a ser confirmado em futuras ocasiões. O mesmo Pedro testifica que a mesma experiência se repete identicamente entre os gentios, na casa de Cornélio (Atos 10:44-46).

        “Pretendendo que a questão de falar línguas seja considerada de forma matura, na correção de abusos constatados na igreja coríntia”, Paulo faz referência à profecia de Isaías (28:11) – (I Coríntios 14:20, 21). Esta é aplicada à situação vigente, satisfazendo as exigências convincentes de menção dos profetas e da lei, como provas de autenticidade da doutrina e do ensino. A oração em línguas dá à intercessão uma maior dimensão. As limitações, do nosso entendimento e da nossa linguagem, são superadas pela intercessão que o Espírito produz através de nós a Deus – com a garantia de estarmos orando segundo os propósitos divinos. As nossas orações tornam-se confiantes e atestadas com verdadeiro descanso. Advoga Roberto Frost que “Orar em língua estranha é uma maneira pela qual os mistérios divinos podem ser expressos sem passar pelo filtro restritivo da mente”.[51]


[48] Tal como previsto! Ver Atos 1:8: “… testemunhas… até aos confins da terra”.

[49] Brumback (1960, p. 34).

[50] Ralph Riggs (1981, p. 91).

[51] Roberto Frost (1971, p. 23).

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

× Featured Image