UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

UM ESTUDO DO PROPÓSITO E USO DAS LÍNGUAS NO CULTO

AS LÍNGUAS COMO SINAL E COMO DOM

    Os relatos bíblicos conectam a questão do falar línguas com a ação direta da pessoa do Espírito Santo.

          Antes do Pentecostes “o Espírito Santo ainda não fora dado” (João 7:39); no dia de Pentecostes o Espírito veio fazer morada nos crentes conforme anunciado em João 14:16, 17, 26 e 16:7.

         Como observação ao texto de Atos 19:2: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” Russell Champlin sugere que

“talvez essas palavras também tenham o sentido de que, embora soubessem que essa promessa fora feita,  não sabiam que já fora cumprida… Poderíamos parafrasear… : “Nem ao menos ouvimos dizer que o Espírito Santo é dado”.[25]

         Creio que a manifestação do Espírito revelava a receção de “alguma promessa” de que os efésios eram detentores.

        Das três referências ao falar línguas no livro de Atos: 2:4, está relacionado com o início do Evangelho aos judeus; 10:46, mostra a chegada da salvação em Cristo aos gentios; finalmente, 19:6 providencia um exemplo de crentes (judeus), que apesar de já integrarem o tempo da graça, ainda não tinham instrução bastante acerca da obra do Espírito. Não conheciam a salvação numa nova forma, paga por Cristo e operada pelo Espírito. É nesta progressão da disseminação/penetração das Boas Novas que é notável a correspondente ação sobrenatural de Deus pelo fenómeno do falar em outras línguas. Um outro texto que não contempla o falar línguas, apesar da sua valia na perceção do avanço do Evangelho com sinais é 8:17-24. Pedro dirige-se a Simão: “Tu não tens parte nem sorte nesta palavra…” (Atos 8:21). O termo “palavra” é, em grego, logos, ”palavra”, “voz” ou “fala”. É provável que o problema de Simão se centrasse à volta de uma “fala” relacionada com o estar cheio do Espírito. Muito provavelmente algo de espetacular e singular deve ter acontecido para chamar a atenção de um homem como Simão. Já tinha visto a libertação de endemoninhados, curas milagrosas e grande alegria espiritual. O que aconteceu então, quando os apóstolos impuseram as mãos sobre os samaritanos? O falar línguas é uma forte probabilidade (ver Atos 8:18). É de considerar também, que esta experiência já fora vivida, inclusivamente por Pedro.


[25] Russell Champlin (p. 409).

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