A História, Percurso e Funcionamento do Conselho Pastoral da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal

A História, Percurso e Funcionamento do Conselho Pastoral da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal

E honra lhe seja dada! Na verdade, aquela máxima foi abraçada pela liderança em geral e, nos cerca de quarenta anos do seu ministério entre nós, foram alcançados esses três grandes objetivos, entre muitos outros.

A Convenção Nacional dos Obreiros normalmente funcionava duas vezes por ano de forma muito elementar com a Assembleia Geral, dirigida por uma Mesa escolhida na hora e, sempre (salvo raras exceções) presidida por Tage Stahlberg, os restantes componentes da Mesa eram alternados com um leque muito restrito (João Sequeira Hipólito, Alfredo Rosendo Machado, Manuel Ribeiro Fernandes, João Chasqueira, António Costa Barata, Fernando Martinez, Casimiro das Neves e pouco mais). Não havia agenda prévia para a Ordem de Trabalhos, portanto os assuntos a abordar eram propostos por cada um que os trazia, de acordo com as necessidades ou projetos locais.

Naquele tempo, além dos Obreiros e consagrados das Igrejas locais, podiam assistir os Cooperadores de Escala. Não havia Conselho Pastoral e todos os assuntos, independentemente da sua dimensão ou complexidade, eram debatidos em plenário com o contributo de todos os presentes. Posteriormente, adotou-se o princípio de que em casos considerados mais complexos os não consagrados sairiam, regressando novamente apenas para serem informados das conclusões.

Neste contexto, considero oportuno e instrutivo, partilhar um episódio pessoal. Estava eu a assistir àquela que foi a minha primeira entrada nas Convenções Nacionais, ocorrida em maio de 1970, depois de ter sido consagrado ao Diaconato, no domingo anterior, na Assembleia de Deus de Águeda e antes de ser apresentado como tal na Convenção. Tudo estava a correr com normalidade, mas a dado momento ia ser tratado um assunto delicado, que tenho bem presente. Então o missionário Tage Stahlberg levantou-se e disse: “Agora vamos ficar de pé e cantar um corinho e os não consagrados devem sair”, cantou-se o corinho e saíram os não consagrados. Eu fiquei ao lado do meu pastor Manuel Joaquim Pernas Canhoto. Terminou-se o corinho e o irmão Tage repetiu o anúncio em tom mais forte, votou a cantar-se o mesmo corinho e eu não saí. Então o irmão Tage ergueu a voz e afirmou: “Já disse! Os não consagrados têm que sair”. Ao que o meu Pastor reagiu dizendo: “Irmão Tage se a insistência é por causa do irmão Vidal (apontando para mim) ele é consagrado!” De imediato respondeu o irmão Tage: “Podemos começar!”

Pouco tempo depois, os não consagrados deixaram de poder assistir às Convenções. As regras apertaram-se mais e, para assuntos sensíveis quem não tivesse pelo menos cinco anos de consagrado tinha que sair e só podia voltar quando permitido. Caso o assunto não tivesse solução em plenário era nomeada, de entre os mais experientes, uma Comissão de Acompanhamento para cada caso.

Posteriormente aquela Comissão passou a ser chamada Comissão Pastoral que estaria disponível para atender, aconselhar ou mediar quaisquer situações no espaço entre Convenções e assim nasceu o Conselho Pastoral.

Porém, o Conselho Pastoral, como todos os outros órgãos da Convenção, ainda que plenamente aceites e respeitados entre nós, não tinham reconhecimento nem validade oficial como hoje. Só com a criação da Personalidade Jurídica da Convenção, que teve lugar a 19 de outubro de 1992, é que tal valência se tornou oficial no verdadeiro sentido do termo. (Anexos A e B)

Fig. 1 – Cartão de Identificação de Pessoa Coletiva

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