Cristianismo evangélico: da exclusão à construção de um espaço social em Portugal, numa convergência estratégica com o republicanismo

Cristianismo evangélico: da exclusão à construção de um espaço social em Portugal, numa convergência estratégica com o republicanismo

Autor: Pr. Rogério Freitas
Data: Maio 2019

Resumo

O monopólio quase esmagador do catolicismo em Portugal teve o seu contraponto durante a segunda metade do século XIX, período em que se desenvolveram dinâmicas religiosas não católicas. A diferenciação nessa caracterização foi, em parte, realizada pela integração ténue de comunidades evangélicas, num percurso feito de exclusão e de semi-inclusão de fraca resistência.

Esse caminho sinuoso foi, em parte, determinado por pressupostos legais, mental e tradicionalmente condicionados pela Igreja Católica. Progressivamente, o protestantismo envolvia-se de forma ativa e acutilante no processo de secularização das atividades caritativas, educacionais, filantrópicas e culturais, começando assim, a participar na construção de uma sociabilidade alternativa em Portugal.

Nos finais do século XIX, apesar da persistência de uma mentalidade católica conservadora e antiprotestante, certos ambientes da sociedade portuguesa desenvolveram pontos de contacto e de partilha de objetivos comuns de denúncia, no que respeitava ao papel regulador atribuído ao catolicismo, contrapondo a defesa da liberdade e igualdade de culto. Essa partilha irá proporcionar, momentaneamente, o encontro entre o protestantismo e o republicanismo, que dinamizará a integração dos crentes reformados após a implantação da República, mormente nas suas leis de alcance social, como a Lei da Separação do Estado e da Igreja e a própria Constituição de 1911.

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