Para muitos republicanos, e com certeza para os protestantes, apoiantes de uma República laica, não se concebia uma luta pelo desaparecimento da religião, muito pelo contrário, pensava-se num combate pela liberdade.
A reivindicação dos protestantes podia ser definida como uma autonomia do indivíduo e uma pertença a um grupo ou comunidade, organizados ao redor de fundamentos religiosos. Os protestantes queriam um lugar de protagonismo em Portugal, com a possibilidade de desempenharem funções relevantes na formação das sociabilidades. Com efeito, os princípios de ordem pluralista e democrática, nos quais se baseava o republicanismo, surgiam como uma atrativa plataforma para a realização dos auspícios dos cristãos reformados.
Esse encontro, que se proporcionou devido a uma combinação de intenções, acabou, no entanto, por dar lugar a algumas desilusões, sem que isso pudesse pôr em causa as conquistas alcançadas pelas comunidades evangélicas. Para finalizar, o reconhecimento advindo da diferenciação, da pluralidade e da liberdade de culto em Portugal não se confinou ao campo estrito das práticas religiosas, na medida em que proporcionou a abertura suficiente de um novo tipo de iniciativas sociais, culturais e educativas, protagonizadas pelos mais diversos grupos evangélicos espalhados e consolidados no país.