COSMOVISÃO CRISTÃ
Um elemento aferidor e estruturante, simples, mas muito pertinente, em cada uma das situações que é perspetivada pela Bíblia no seu todo, é conhecido como “cosmovisão cristã”. Esta cosmovisão aponta para quatro fatores essenciais na história bíblica e na história da humanidade a partir da narrativa bíblica: A criação, a queda, a redenção e a glorificação. Todos estes elementos devem ser tidos em consideração e ao ponderá-los dá-se um passo significativo no contexto bíblico total. Por exemplo, no que diz respeito à condição em que nos encontramos e no que diz respeito às adversidades que encontramos na caminhada cristã neste mundo, John Stott refere que nem sempre foi assim, nem sempre será assim, e que vivemos entre o já e o ainda não.
Esta estrutura muito simples evita erros básicos tanto na interpretação quanto na aplicação da verdade bíblica. Veja-se o que acontece em desvios doutrinários que ignoram a condição presente da humanidade, a realidade da vida cristã ainda sujeita a muitas aflições e provações, e a necessária intervenção de Cristo nos últimos tempos para introduzir em definitivo o Seu reino e a Sua justiça. Quantos desvios doutrinários são identificados e combatidos à luz desse filtro estrutural essencial.
TEOLOGIA CRISTÃ E JUDAICA
Nesta introdução convém ainda ter em consideração que para lá da teologia cristã, há uma teologia judaica que nos suscita curiosidade e interesse, embora nem sempre tenhamos à mão obras que nos permitam ter um conhecimento mínimo.
TEOLOGIA COMO CIÊNCIA
O trabalho teológico requer a máxima exigência, rigor, seriedade e honestidade, de tal modo que o que se exige esteja em conformidade com o que o texto bíblico nos dá a conhecer. Desta forma a teologia recorre a disciplinas do conhecimento humano, da linguística (hebraico, aramaico, grego e latim), e da interpretação, como é o caso da heurística, hermenêutica e exegese. Podemos neste sentido falar de um trabalho aproximado ao caráter científico, que ultrapassa os limites das capacidades e conhecimentos humanos e é feito na dependência da orientação da mesma Pessoa que inspirou o texto sagrado. Sem cair num jogo de palavras banal, podemos falar de uma ciência bíblica.
TEOLOGIA(s) E BÍBLIA
Gostaria, igualmente, de deixar aqui a convicção pessoal de que não existe escola ou tratado teológico que se substitua ao texto bíblico. A Bíblia estará sempre acima de toda a corrente teológica, por mais recomendável que seja.
REVELAÇÃO E TEOLOGIA(s)
Gostaria, igualmente, de deixar vincado que, no meu entender, nós não encontramos na Bíblia teologias particulares dos escritores de tal modo que possamos falar de uma teologia joanina, paulina ou de qualquer outro escritor. Intencionalmente mantemos aqui a identificação dos escritores como tal, reservando para a autoria apenas o Espírito Santo. Segundo o próprio texto bíblico, acreditamos que o que foi escrito foi por revelação divina, não tendo sido os escritores autómatos que escreveram um ditado, mas que emprestaram ao texto a sua sensibilidade e estilo literário, sem que isso tenha colocado em causa o que Deus pretendia que ficasse registado.
O SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODOS OS CRENTES
Existe um outro aspeto que nos merece a maior atenção e cuidado. Há que resistir à ideia de que o conhecimento da revelação bíblica e da teologia, que a partir daí se desenvolve, é apenas propriedade de uma elite. Segundo o texto bíblico, o Espírito Santo assiste a todos os que se abeiram dele com uma boa consciência, no desejo de aceitar o que Deus diz e faz, assim como de quem Ele é. Mesmo sem ferramentas académicas de que não negamos o proveito e a utilidade, um cristão “normal” apreende o conteúdo da revelação. Isto igualmente não põe em causa que o Espírito Santo capacita algumas pessoas, segundo a Sua soberania e o desejo de quem busca, para mestres e ensinadores.
“Tudo isto vos escrevi por causa daqueles que vos enganam. Mas vocês receberam o Espírito Santo, o qual vive no vosso íntimo, de tal forma que nem é preciso que alguém venha dar-vos instruções. Ele ensina-vos tudo. E o que ele ensina é a verdade.” (1 João 2:24,25 – OL).
Acrescento que apesar da muita utilidade do conhecimento das línguas originais em que o texto bíblico foi vertido – hebraico, aramaico e grego, tenho alguma reserva e muito cuidado quando surgem comentadores que invocam “erros” de tradução e invocam argumentos linguísticos e de tradução. Isto porque tenho confiança que o trabalho de tradução da Bíblia é realizado por equipas de especialistas de grande competência que examinam e discutem os detalhes, confrontando e dirimindo as diferenças de opinião. Isto não invalida uma atenção especial para o(s) sentido(s) nas línguas originais e a utilização de ferramentas como a Amplified Bible.