TEOLOGIA “À LA CARTE”?

TEOLOGIA “À LA CARTE”?

A REVELAÇÃO ESCRITA

O elemento essencial na reflexão teológica cristã é o texto bíblico e consideramos esta premissa fundamental. Como referimos anteriormente isto não significa que não possamos encontrar formulações diferentes, embora na diversidade também possamos encontrar uma significativa unidade. Nem tudo o que é diferente, é necessariamente contraditório. Algumas vezes, adotamos uma perspetiva de isto ou aquilo, quando em muitos casos, se deveria enveredar por isto e aquilo, desde que tenha respaldo na Bíblia.

Neste sentido, existe na Palavra de Deus uma abertura para as manifestações espirituais de visões, sonhos e palavra profética, mas nenhuma delas se pode sobrepor à revelação escrita, e cada uma delas tem de ser escrutinada nessa revelação. “Com efeito, todos podem falar como profetas, cada um por sua vez, para que todos aprendam e aproveitem com as palavras uns dos outros. Além disso, o dom de declarar a palavra de Deus está sujeito à apreciação dos outros profetas.” (1 Coríntios 14:31,32 – BPT). Deus pretende que a sua revelação esteja preto no branco, de forma rigorosa e objetiva. Se por um lado Deus se limitou de algum modo aos limites da natureza humana na encarnação de Jesus como O Filho de Deus, também Deus se cingiu à palavra humana para se dar a conhecer. As palavras dos homens são limitadas, os seus horizontes são curtos quando se trata de falar acerca de Deus, da Sua glória e majestade, de tudo o que nos está reservado, mas Deus capacitou-nos com o dom da palavra para que Ele mesmo pudesse usar a nossa linguagem ou, melhor dizendo, as nossas linguagens nos mais diferentes estilos, para se dar a conhecer, sendo que ao dar-se a conhecer, Ele está a revelar-nos quem nós somos, a nossa condição e o Seu plano para nos salvar e libertar, transportando-nos do reino das trevas para o reino do amor do Seu filho.

TEXTO E CONTEXTO

A hermenêutica bíblica é essencial para o estudo teológico, e de entre os seus princípios, que não são distintos dos que são usados nas disciplinas humanas, a compreensão do texto, no seu contexto mais limitado e mais abrangente, inclui necessariamente a Bíblia no seu todo. Uma coisa é o livre exame, outra bem diferente é a livre interpretação. Defendemos o livre exame, mas a interpretação deve cingir-se aos princípios da hermenêutica e da exegese, considerando que a Bíblia se interpreta a si mesma.

Compreender o texto na sua época e percebê-lo no nosso tempo, é a tarefa do ministro da Palavra e do púlpito no ensino e na partilha dos conteúdos bíblicos.

Não desenvolvemos aqui os princípios da hermenêutica porque não cabe no escopo deste trabalho, embora relevemos a importância desta disciplina no entendimento bíblico. Entre muitas outras, recomendamos a obra de Gordon e Douglas (1984) referenciada na bibliografia.

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