TEOLOGIA “À LA CARTE”?

TEOLOGIA “À LA CARTE”?

DIVISÕES DA TEOLOGIA

Convém-nos, de uma forma breve, dar uma panorâmica das várias divisões da teologia e para isso servimo-nos da obra de Strong (2002).

Comumente a Teologia divide-se em Bíblica, Histórica, Sistemática e Prática.

1. A Teologia Bíblica tem como alvo ordenar e classificar os factos da revelação limitando-se às Escrituras, quanto ao seu material, e tratando a doutrina só na medida em que ela se desenvolveu até ao fim da era apostólica. (…)

2. A Teologia Histórica traça o desenvolvimento das doutrinas bíblicas, desde o tempo dos apóstolos até aos nossos dias, e dá conta dos resultados deste desenvolvimento na vida da igreja. (…)

3. A Teologia Sistemática toma o material fornecido pela Teologia Bíblica e Histórica e, com este material, busca edificar um todo, orgânico e consistente, do nosso conhecimento de Deus e de suas relações com o universo, quer este conhecimento seja originariamente derivado da natureza, quer das Escrituras. (…)

4. Teologia Prática é um sistema de verdades, considerado como um meio de renovar e santificar o homem, ou, por outras palavras, a Teologia na sua disseminação e reforço. (pp. 72-89).

REQUISITOS PARA O ESTUDO DA TEOLOGIA

Para a realização da tarefa teológica são necessárias competências académicas que são iguais às que são requeridas em qualquer outro domínio da ação científica do homem e não temos de temer esta designação. A obra de Strong, a que já fizemos referência, apresenta-nos esses requisitos. Recorremos a este teólogo para darmos uma ideia genérica dos mesmos. Colocamos igualmente estes aspetos, uma vez que, contribuem para contrariar a tendência de uma teologia segundo modismos ou tendências ao gosto do próprio, de um segmento cultural ou do seu público.

1. Uma mente disciplinada

Só esta mente pode, com paciência, coletar os factos, sustentar nas suas mãos muitos factos de uma vez, inferir através de uma contínua reflexão os princípios que estabelecem conexão, suspender um julgamento final, até que as suas conclusões sejam verificadas pela Escritura e pela experiência. (…)

2. Um hábito mental intuitivo distinto de um outro simplesmente lógico – ou confiar nas convicções primitivas, assim como no seu processo de raciocínio. O teólogo deve ter insight (N.T.: discernimento), assim como entendimento. Ele deve acostumar-se a ponderar os factos espirituais bem como os sensoriais e materiais; a ver estas coisas nas suas relações interiores como também nas suas formas exteriores; acalentar confiança na realidade e na unidade da verdade. (…)

3. Conhecimento das ciências física, mental e moral

O método para conceber e expressar a verdade da Escritura é assim afetado pelas nossas noções elementares de tais ciências, e as armas com que a Teologia é atacada e defendida são frequentemente tiradas destes arsenais, de que o estudante não pode permitir-se ignorar. (…)

4. Conhecimento das línguas originais da Bíblia

Isto é necessário para capacitar-nos não só a determinar o sentido dos termos fundamentais da Escritura, tais como, santidade, pecado, propiciação, justificação, mas, também, a interpretar declarações da doutrina através das suas conexões com o contexto. (…)

5. Afeição santa para com Deus

Só o coração renovado pode sentir adequadamente a sua necessidade da revelação divina, ou entender tal revelação quando concedida. (…)

6. A influência iluminadora do Espírito Santo

Como somente o Espírito sonda as coisas de Deus, só Ele pode iluminar as nossas mentes para as apreender. (Strong, 2002, pp. 72-89)

Pela parte que nos toca, preferimos começar pela disponibilidade do coração, da mente e do espírito na busca da mente de Deus nas Sagradas Escrituras. De algum modo, podemos dizer que é de joelhos que se perscruta a revelação divina, com “temor e tremor”, com santa reverência, embora simultaneamente com a ousadia de quem sabe que tem livre acesso à presença de Deus pelo vivo caminho que nos foi preparado por e em Jesus Cristo: “Assim, meus irmãos, devido ao sangue de Jesus podemos entrar, com ousadia, no lugar santíssimo. Este é o caminho novo e cheio de vida que Cristo nos abriu, ao rasgar o véu de separação, por meio da sua morte. E visto que temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com um coração verdadeiro, na certeza confiante da fé, tendo as nossas consciências purificadas e o nosso corpo lavado com água pura. Mantenhamos firmemente a nossa esperança, porque Deus é fiel e nada falhará ao que promete. Procuremos desenvolver entre nós o amor fraternal e estimulemo-nos a fazer o bem. Não descuidemos a nossa participação na comunidade dos crentes, como muitos fazem. Pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, tanto mais que vemos aproximar-se o grande momento da sua segunda vinda.” (Hebreus 10:19-25 – OL).

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