TEOLOGIA “À LA CARTE”?

TEOLOGIA “À LA CARTE”?

Entre os cristãos há uma convicção profunda e alicerçada em evidências seguras de que Deus se comunica com a humanidade, que Deus se dá a conhecer e que a ânsia do homem por conhecê-lo não é mais do que uma resposta à disposição de Deus em dar-se a conhecer. O homem procura Deus porque Deus procura o homem. Também é ponto assente que apesar de o homem poder raciocinar e elaborar raciocínios sobre a divindade, o seu pensamento pode ter laivos de verdade, mas fica longe, senão mesmo muito longe, de quem, na realidade, Deus é. Defende-se, portanto, que ou Deus toma a iniciativa e fala de Si mesmo, ou ficamos prisioneiros da ignorância ou de suposições que não podemos tomar por verdadeiras. O homem está muito longe de Deus. A sua mente apesar de brilhante, é insuficiente para captar Deus, a Sua essência, e para discernir a Sua ação. Tudo isto se deveu à queda do homem, pela cedência ao pecado, conduzindo à perda da qualidade de “ver Deus” e às diversas manifestações pecaminosas a partir daí resultantes.

Mas Deus não ficou de braços cruzados, nem entregou o homem à sua própria escolha. Deus é um Deus que intervém. Apesar de termos a perceção de que Deus se esconde, de que não podemos saber tudo o que pretendemos sobre Ele, e de que não nos é possível encará-Lo face a face como pretendeu Moisés, na mais destemida e arrojada de todas as pretensões, ao mesmo tempo, Deus mostra-se e dá-se a conhecer. Ele mostrou-se de costas, tendo Moisés ficado resguardado na penha, numa manifestação antropomórfica. Muitos séculos mais tarde, Jesus mostrar-nos-ia o rosto do Pai. “Todo aquele que me viu, viu também o Pai.” (João 14:9b – OL). A Bíblia respalda as revelações de Deus através da natureza – as obras das Suas mãos; da revelação escrita e da revelação pessoal – quando Deus entra na História humana tornando-se à imagem e semelhança do homem que havia criado à Sua própria semelhança. Não fosse essa semelhança e Deus não teria a possibilidade de assumir a nossa dimensão e condição, à exceção do pecado. Este é o ponto culminante da revelação divina. O deísmo não pode ser suportado pelo texto bíblico e pela presença entre nós de Jesus Cristo como parte da nossa história. “Anteriormente Deus falou aos nossos antepassados de muitas maneiras por intermédio dos profetas. Agora, nos tempos em que vivemos, falou-nos através do seu filho, a quem deu todas as coisas e por meio de quem criou tudo o que existe. Este reflete a glória do seu Pai e é a imagem perfeita da sua pessoa. Ele mantém todo o universo pela autoridade da sua palavra. Tendo morrido para nos purificar da culpa dos nossos pecados, sentou-se à direita do Deus glorioso, nos lugares celestiais.” (Hebreus 11:1-3 – OL).

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