De maneira especifica, o termo “apokalypto”, presente em 1Co.14:30, não sugere um valor igual, mas antes que a profecia tinha menor autoridade que as palavras das Escrituras ou as palavras dos apóstolos.
Paulo assume que todas as mulheres podem profetizar (1Co.11:5). O discurso que aparece em 14:34 não é completo, antes representa apenas um discurso que assume a autoridade dos homens na congregação. Grudem chama a atenção para o forte contraste implícito pelo uso da palavra grega “alla”, mas. “Falar”, no sentido da proibição de Paulo é agir de maneira exatamente oposto a ser subordinado[21]. Neuer diz que aquilo que Paulo propõe é o princípio da subordinação da mulher ao homem divinamente estabelecido e que deve ser preservado[22]. Foh diz que o verbo usado junto com “silêncio” nesta passagem tem a conotação de ausência de fala. No entanto não é exigido silêncio absoluto pela evidência de uma comparação com 1Co.11:2-16, que regula a participação de homens e mulheres no culto, de modo especial quanto à oração e profecia, de tal modo que essa participação glorifique a Deus[23]. Então o contexto qualifica o sentido de silêncio, em primeiro lugar mediante a referência à Lei (v.34). O uso autoritário indica que é o Antigo Testamento que Paulo tem em mente, referindo-se àquelas partes do Antigo Testamento que ensinam a submissão das mulheres aos seus maridos. Por Paulo fazer referência à imutável lei de Deus, isto faz com que este mandamento seja válido para todas as épocas e em todos os lugares. O Antigo Testamento não impediu a mulher de profetizar e, portanto, em 14:34 também não proíbe às mulheres a prática do dom de profetizar. O que a Lei exige é submissão e não o silêncio. O mandamento do v.34 pode ser traduzido: “Mas devem submeter-se”, “Esteja subordinada” ou “fique sujeita”. São formas passivas que denotam servilismo, é um ato que a própria pessoa faz de si mesma, não algo imposto pelo marido. No entanto esta subordinação é uma questão de função e não implica inferioridade[24].
[21] Ibid., p.80.
[22] NEUER, Man and Women in Christian Perspective, p.116-122.
[23] CLOUSE, Mulheres no Ministério, p.100-01.
[24] Ibid., p.100-01.