Foh afirma que a questão não é se uma mulher mandona ou dominadora está sendo impedida de ensinar ou exercer autoridade sobre um homem, mas que a mulher não deve ensinar, nem exercer autoridade sobre os homens. Segundo Knight o sentido mais comum para o verbo authenteiné “exercer autoridade sobre”.
A NVI traduz o texto da seguinte forma “nem que tenha autoridade sobre o homem”, na ARA está da seguinte forma “nem exerça autoridade de homem”.
Penso que Jameison resume bem a questão, ao afirmar que o texto em questão afirma que Paulo não permite que a mulher exerça autoridade sobre o homem por causa da ordem com que foram criados; primeiro Adão e só depois Eva. Talvez a palavra em causa não seja a chave da questão, mas os versículos que sucedem[42].
Um argumento usado por Liefeld para contornar esta questão prende-se com a perspetiva acerca da ordenação, segundo a qual as pessoas não são ordenadas para ocuparem lugares de autoridade, mas são designadas para ministérios de serviço. Como apoio a este ponto de vista, nota-se que a cabeça da Igreja é Jesus Cristo e é o E.S. que exerce autoridade divina na Terra. Deve-se também notar que as Escrituras em nenhum lugar mostram um presbítero a exercer autoridade sozinho. A autoridade está na Palavra de Deus e não no homem que a ensina; os dons espirituais não atribuem autoridade. Isto se vê no facto de a congregação de Corinto precisar de avaliar o que os profetas diziam. O ministério bíblico é serviço, jamais exercício de poder autoritário sobre pessoas[43]. Culver sustenta, corretamente, que Paulo exorta a Timóteo e a Tito para que exerçam autoridade e aos membros das igrejas que se submetam e obedeçam, o que segundo Liefeld parece não se aplicar nos nossos dias. No entanto vide Fp.1:1; 1Tm.5:17; 3:4; 1Ts.5:12; Hb.13.17[44], todas elas mencionam que há autoridade envolvida no exercício do ministério. Foh também concorda que é assunto inquestionável pois há autoridade envolvida naquilo que os presbíteros e pastores fazem. Em Mr.10:35-35 que é citado, se é verdade que Jesus fala de servir, o contexto é de liderança. Os fatos de que a ordenação nada confere, que a autoridade vem de alguém superior ou deriva e que sua liderança deve ser exercida em serviço amoroso, não alteram em nada a realidade de que verdadeiramente exerçam autoridade[45].
Falta identificar a quem pertence exercer autoridade na Igreja, o ensinar e o exercer autoridade são duas funções do presbítero e por isso vedadas às mulheres[46].
No que toca ao versículo 15, Paulo opõe-se a qualquer desvalorização da
dignidade ou do valor do casamento ou da criação de filhos. Seja qual for o
papel da mulher em outra parte, o seu papel como esposa e mãe não deve ser
desprezado; bem como para fugir a qualquer possibilidade de se pensar que o
parto é meramente um castigo.
O resumo das conclusões a que cheguei é o seguinte: Paulo não se opõe de
maneira alguma ao direito de a mulher profetizar na assembleia, que ele aliás reconhece
às mulheres (1Co.11:5); sua proibição diz respeito unicamente à função oficial
de ensinar na assembleia cristã. Esta prescrição está ligada ao plano divino da
Criação.
[42] JAMEISON, Comentary New Testament, p.851
[43] CLOUSE, Mulheres no Ministério, p.176-181.
[44] Ibid., p.189.
[45] Ibid., p.199
[46] CLOUSE, Mulheres no Ministério, p.98