Sobre este aspeto concorda Rienecker[12] e Clover.[13]
Kassian chama à atenção de que nos capítulos 11-14 são dados uma série de conselhos para reuniões locais; o capitulo14 apresenta linhas mestres para vários discursos em público durante as reuniões. Segundo ela, o propósito de Paulo vai para além de simplesmente repor a ordem nos cultos[14].
Algo que surge logo em nossa mente quando lemos a posição de que havia mulheres que perturbavam os cultos é a pergunta, “Será que só as mulheres perturbavam o culto?” Se é verdade que as mulheres de uma forma geral tinham baixo nível educacional (pois no entender da época eram intelectualmente inferiores aos homens),[15] é preciso ter noção que o ensino não estava acessível a todas as classes e, portanto, nem todos os homens eram instruídos. Ao mesmo tempo, havia mulheres que estudavam filosofia, isto segundo o mesmo autor[16].
Outra explicação dada prende-se ao facto de sentarem-se longe dos maridos[17] e por isso tinham de gritar[18]. No entanto não existem evidências de que as igrejas eram assim organizadas, tão pouco as sinagogas. Estas só a partir da Idade Média tomaram esta orientação[19].
Após termos visto o que o texto não diz, é importante ver o que ele diz.
Paulo termina a discussão sobre as línguas no versículo 28 (1Co.14) e prossegue no assunto da profecia. Ele discute a profecia em pelo menos 4 ou 5 versículos. Nenhum leitor em Corinto pensaria que Paulo havia voltado ao assunto das línguas. De acordo com este ponto de vista, Paulo estaria dizendo: “que os outros (ou seja, o resto da congregação) julguem cuidadosamente o que é dito (pelos profetas… mas), as mulheres devem manter-se em silêncio nas Igrejas. As mulheres não poderiam fazer críticas orais às profecias durante o culto público. Essa regra não impediria que elas avaliassem silenciosamente as profecias (1Co.14:29 deixa isso implícito), mas significava que não poderiam verbalizar essas avaliações diante da congregação. Grudem afirma: O avaliar, tanto o substantivo como o verbo, têm significado bastante amplo. Não é de todo improvável que Paulo use “diakrisis” em 1Co.12:10 com sentido de distinguir (entre diferentes espíritos), ao mesmo tempo em que usa “diakrinô” em 1Co.14:29 com um sentido de avaliar ou julgar. Só em 1Corintios é que Paulo usa o verbo “diakrinô” com vários sentidos… é difícil excluir qualquer pessoa do que Paulo diz em 1Co.14:29 sobre a avaliação das profecias. É preferível a abordagem que coloca os líderes assumindo um papel proeminente no julgamento das profecias. Cada membro ouve e julga/avalia à luz das Escrituras e da autoridade do ensino que a pessoa já saberia ser verdadeiro … a ênfase do verbo está no processo deliberativo e não no resultado da deliberação … podemos então concluir que 1Co.14:29 indica que toda a congregação ouvia e avaliava a profecia, formando a sua opinião sobre isso e que alguns talvez até discutissem a questão publicamente[20].
[12] RIENECKER, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, p.324
[13] CLOUSE, Mulheres no Ministério, p.38
[14] Ibid., p.105-23
[15] BELL, Explorando o Mundo do Novo Testamento, p.177-80.
[16] Ibid., p.214-6
[17] e as solteiras, será que Paulo só via a mulher casada, ele afirma o contrário, ele desejava que todos fossem como ele, 1Co.7:8.
[18] KASSIAN, Women, Creation and the Fall, p.105-23
[19] Ibid., p.105-23
[20] GRUDEM, O Dom de Profecia, p.64-9.