Em Cristo, todos os crentes gozam de uma posição igual diante de Deus, mas o advento da salvação evidentemente não eliminou todas as distinções humanas. Mesmo quando nos convertemos, retemos a nossa posição racial e social distinta e continuamos a existir como homem e mulher.
Em Cristo, não são anuladas as diferenças no relacionamento conjugal, se é verdade que um dia serão anuladas para sempre, ainda estamos a viver na presente ordem criada por Deus e funcionamos em família terrena. Portanto é impossível dizer que não há diferença entre homens cristãos e mulheres cristãs na Igreja. Mas tampouco podemos dizer que Paulo não está tratando de relacionamentos sociais, quando diz que não há “nem homem nem mulher”. O texto aplica-se aos relacionamentos sociais dentro da Igreja e não é meramente ao âmbito soteriológica. Ao mesmo tempo não significa que todas as distinções estão eliminadas.
Foh diz:
A questão discutida em Gálatas 3:23-29 é que é a fé, e não a lei, que constitui o caminho da salvação. A mensagem Paulina é que independentemente de nacionalidade, situação social ou género, todos são justificados pela fé (v.24), todos são filhos de Deus (v.26), todos se revestiram de Cristo (v.27), todos são herdeiros de acordo com a promessa (v.29). Fica bem claro que este texto enfatiza o âmbito espiritual. As três categorias de Gálatas 3:28 diferem em sua natureza. A escravidão é uma instituição social criada por seres humanos. Entretanto, enquanto existirem empregador e empregado, os mandamentos continuam em vigor. A distinção entre judeu e gentio ainda não foi removida, e Paulo exorta a ambos os grupos a que se reconciliem (Ef.2:14-16). A distinção entre macho e fêmea é mais fundamental; Deus estabeleceu na criação, e por isso não pode ser removida. Os mandamentos que dizem respeito a macho e fêmea, marido e mulher ainda se aplicam, pois, as diferenças permanecem. Cada par deve ser entendido em seus próprios termos, como as Escrituras os apresenta.
Gálatas 3:28 não anulam as passagens que ensinam submissão das mulheres na Igreja, ou no casamento.[6]Nestes quatro aspectos estabelecemos: a) A necessidade de ter em conta o contexto cultural, histórico e geográfico aonde a passagem está inserida. Temos que estar atentos se o texto aponta para alguma situação temporal ou limitativa; caso isso não aconteça deve ser considerado um elemento subordinado e não coordenativo; b) Nosso ambiente cultural não pode interferir na análise dos textos; c) Não devemos estabelecer o que um texto diz a partir de outro, mas estabelecer a ideia central que o autor pretende transmitir; d) Gálatas 3:28 não anula as passagens que ensinam submissão das mulheres na Igreja ou no casamento.
[6] Ibid., p.106-07.