Análise das Passagens
Irei proceder à análise das duas passagens, 1Corintios 14:33b-35 e 1Timóteo 2:8-15.
- Uma perspetiva sobre 1Coríntios 14:33b-35
O capítulo 14 de 1Corintios começa a dar orientações práticas para o exercício ou operação dos dons espirituais. Os crentes em Corinto precisavam de orientação e direção especiais concernentes à operação de dois dons: línguas e profecia.
Horton diz que os versículos 26-40 (1Corintios14) tratam de ordem e decência no culto. Em termos gerais, a passagem de 1Corintios14:26-40 resume-se aos seguintes pontos: contribuição para que todos cultuem (v.26); orientação para os que falam em línguas (v.27,28); orientação para os que profetizam (v.29-33a); orientação para as mulheres (v.33b-35) e por último Paulo estabelece que aquilo que foi dito é mandamento do Senhor (v.36-40)[7]. O capítulo aponta também para avaliação que Paulo faz da profecia em contraste com as línguas. A profecia é maior do que as línguas, salvo se as interpretar, pois edifica a igreja (14:5). A razão desta superioridade prende-se com o interesse de Paulo neste capítulo a edificação da Igreja.
Os coríntios, ao lerem esta epístola teriam lido as duas secções (cap.11 e 14), separadas por apenas 5 a 6 minutos. Portanto no capítulo 11 a mulher pode profetizar e orar; no capítulo 14 existe uma proibição, as mulheres deveriam estar em silêncio na Igreja. Na realidade aplica-se da mesma maneira como se figurasse na secção anterior; porquanto resulta na mesma coisa. Não parece que Paulo esteja a adicionar uma interpretação precipitada; antes expressa suas convicções solidamente formadas.
A partir de 1Coríntios 14:29, Paulo dá orientação específica às mulheres. Alguns como Mickelsen[8] e Grenz[9], entre outros, presumem que havia mulheres que faziam perguntas excessivas e interrompiam os cultos de adoração. Morris entende que esta proibição se refere a mulheres levianas tomarem parte na discussão e interpretação do que fora dito por algum profeta ou mestre durante o culto. No v.35 Morris indica que a proibição de as mulheres falarem na Igreja estende-se à apresentação de perguntas. Estas posições assumem que o problema das perguntas durante os cultos de adoração não indica que suas tentativas de aprender eram erradas, mas o mal estava na escolha da ocasião para as perguntas. Estas posições sustentam que Paulo está lidando com um problema local.
[7] HORTON, I & II Coríntios, pp.129-39.
[8] Ibid., p.212-3.
[9] GRENZ, Mulheres na Igreja, p.134.