O ministério das mulheres

O ministério das mulheres

  • O uso que Paulo faz de Gn.2

Adão foi formado primeiro (1Tm2:8-15); Eva foi tirada de Adão (1Co.11:8) e foi feita para corresponder a Adão. Comecemos pela primeira asserção.

No Velho Testamento notamos que o filho mais velho recebia porção dobrada da herança e tornava-se o líder da família. Paulo aplica esta lei a Adão, embora de facto ele não nasceu, mas foi formado! Cristo a imagem de Deus; o Primeiro; a fonte; a origem de toda a criação e Cabeça da Igreja fundamenta a Sua autoridade sobre todas as coisas; e Paulo aplica o mesmo princípio a Adão. O facto de que Adão foi o primeiro a ser formado traz implicação de exercer autoridade e, por isso, deve exercer autoridade e ensinar.

A segunda asserção lida com o facto de mulher ser formada para ajudar o homem. Ser criada para ser ajudadora não carrega em si mesmo o significado de ser submissa, mas é o suprimento de Deus para a solidão do homem e para trabalhar ao lado dele. No entanto o que sugere subordinação é facto de ter sido Adão que pôs os nomes aos animais bem como a Eva e a explicação dada para esse nome.

  • Génesis 3

Ele coloca a responsabilidade sobre Adão (Rm.5:12-21).

O homem tinha a responsabilidade da liderança em casa e no aspeto religioso, porque estava preparado para discernir as mentiras de Satanás. A mulher não foi colocada nessa posição e, portanto, não estava capacitada para discernir. No cristianismo isso foi restabelecido. De facto, ela foi tentada e seu marido não, mas também a ação de Deus em relação ao casal indica que o marido é o responsável número um e o porta-voz do casal. A liderança masculina começa antes da queda e continua no Cristianismo[36].

Em conclusão podemos afirmar que Paulo circunscreveu a liderança e direção da Igreja exclusivamente ao homem. É interessante notar que Paulo não somente cita a ordem da criação, mas também a suscetibilidade da mulher para a tentação. Na história da queda, a mulher torna-se menos capacitada do que o homem; no entanto Paulo não lhe atribui a culpa principal nem é a sua intenção (Rm.5:12). Em 1Tm.2:14 não quer colocar na mulher toda a culpa, mas apenas chamar à atenção para sua quota-parte. Ao ser posta de lado a possibilidade de ensinar e liderar a igreja, Paulo está a proteger para a sua feminilidade com seu dom especial e fraqueza. Permitir à mulher ensinar e liderar é uma ofensa a Deus e sua lei da criação, como também uma abertura a riscos, o que é visto quando assumem um lugar de liderança sobre o homem, como na queda.

Para além deste argumento temos outra questão a analisar que está no versículo 12. O verbo na frase “que exerça autoridade de homem” aparece aqui somente em todo o NT.

No grego a expressão para “tomar autoridade” não é tão clara. Será que Paulo quer dizer “aceitar uma posição de autoridade” ou, está a tratar acerca do tamanho ou extensão da autoridade ou ainda a auto-proclamação de originador. Kroeger acha evidências para esta última pois diz que Paulo está a combater um mito do gnosticismo em que era afirmado que a mulher é a fonte do homem. Tal argumento teria validade se a carta fosse escrita por alguém posterior a Paulo pois no tempo do apóstolo dificilmente iriam entender a expressão como tal. Outros dizem que o termo em si não carrega um tom negativo de “domínio” ou “usurpar autoridade”, podendo nós ler a frase de Paulo como “eu não estou a permitir que a mulher ensine de tal maneira que domine sobre o homem”. Moo sugere que o termo pode significar ainda “ter autoridade” ou “usurpar autoridade”, esta última sugestão para o significado da frase só deve ser aceite caso o contexto assim o indique de uma forma clara. O termo é de difícil definição, pois foi evoluindo desde o Clássico com significado de dominador até adquirir no tempo da patrística o significado de exercer autoridade. Se a primeira epístola a Timóteo tivesse sido escrita por um autor do 2º século então era possível aceitar a definição de exercer autoridade ou auto-proclamar-se a causa (origem) de tudo o resto. Mas se a carta reflete a linguagem de Paulo, ou dos seus amanuenses, é bem possível que signifique “domínio” que é diferente e mais forte do que o tremo que ele normalmente usa. Se nós assumirmos que Paulo é o autor, possivelmente Paulo está a proibir o ensino como meio de dominar. Mas se assumirmos que Moo está correto e que somente o contexto pode determinar o sentido que Paulo quer dar, talvez Paulo queira que as mulheres aprendam de uma forma submissa e sucintamente invoca o princípio estabelecido em Génesis, indicando que as mulheres não estavam submissas aos seus maridos, mas procuravam dominar sobre eles[37]. No entanto já vimos que a expressão mulheres não tem uma aplicação circunscrita às esposas; sendo assim, esta afirmativa não é válida. O termo authenteo, segundo Champlin, significa “ter autoridade sobre” ou “dominar” [38], que está em consonância com aquilo que é apresentado por Mounce[39], bem como Gingrich[40] e por Rienecker[41]. Somente aparece aqui em todo o Novo Testamento e é uma das cento e setenta e cinco palavras peculiares às epístolas pastorais.


[36] HURLEY, Man and Women in Biblical Perspective, p.197-223.

[37] KEENER, Paul, Women and Wives, p.118 ss (esta referência abrange os três últimos parágrafos).

[38] CHAMPLIN, Novo Testamento Interpretado, p.304.

[39] MOUNCE, The Analytical Lexicon to the Greek New Testament, p.106.

[40] GINGRICH, Léxico do Novo Testamento Grego/Português, p.37.

[41] RIENECKER, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, p. 460.

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