A DIVERSIDADE DO CANON NO  MUNDO CRISTÃO

A DIVERSIDADE DO CANON NO MUNDO CRISTÃO

Ainda existe a opinião de que a elaboração da lista dos canónicos do Antigo Testamento surge pela mão de Judas Macabeu quando depois da guerra recolhe todos os livros e manda efetuar cópias. A lista dos livros a recolher para copiar parece indiciar um processo de seleção, mais ou menos formal e mais ou menos intencional. Provavelmente, no ideário daquele tempo já existiria entre a muita literatura religiosa um conjunto de maior importância. “Ao preparar a lista, Judas provavelmente definiu não apenas a divisão estável entre Profetas e Hagiógrafos, mas também a ordem tradicional dos livros e o número tradicional de livros dentro de cada divisão”[26].

Os textos traduzidos do hebraico para aramaico referidos no texto de González são chamados de Targumim[27]. “Targum é a palavra hebraica que significa “tradução”, mas na prática traduções, paráfrases e comentários do Antigo Testamento têm sido assim chamados”[28].Estes textos tinham por objetivo ajudar os judeus que já tinham esquecido o hebraico, traduzindo os documentos para aramaico, ou para o grego, língua que os seus leitores conheciam. Quanto ao aramaico existiram dois grupos linguísticos principais: os da Palestina e os da Babilónia. “Enquanto os targumim publicados na Babilônia tendem a permanecer relativamente próximos do original hebraico, os targumim palestinos são frequentemente mais parafraseados e desenvolvidos, com acrescentos de passagens interpretativas ausentes do original hebraico”[29]. A importância desta dualidade, literalidade paráfrase, dos dois tipos de targumim está na origem da diferença entre algumas traduções, que se apoiaram em manuscritos de origens diferentes. Segundo Osborn, os Targumim que representam o judaísmo babilónico, como o Targum de Ônquelos (de finais do séc. III d.C.) são fiéis ao texto Massorético Hebraico, contudo, existem targumim que representam o judaísmo palestino com traduções para o aramaico, que surgem com tantos acrescentos que chegam a ser o dobro do texto Massorético Hebraico, como é o caso do Targum do Pseudo-Jónatas[30]. Apesar de ser importante aprofundar estas diferenças no estudo da evolução das Escrituras não cabe no tema em análise. Os anos foram passando e até ao ano 70 d. C., o ano da destruição de Jerusalém e do templo pelo general Tito, produziram-se muitas obras religiosas. As mutações teológicas dentro do judaísmo também foram inúmeras, pois, a partir do momento, o judaísmo teria de existir sem uma das suas peças fundamentais: o templo.


[26] Beckwith, 1998, p. 91

[27] Targumim – forma plural de Targum.

[28] Champlin, 2001, p. 321. Vol. VI

[29] Minha tradução de : “Tandis que les targoums édités en Babylonie tendent à rester relativement proches de l’original hébraïque, les targoums palestiniens sont souvent plus paraphrastiques et développés, avec des passages interprétatifs absent de l’original hébraïque” (Wigoder, 1993, p. 1104)

[30] Cf. (Osborne, 2009, p. 414)

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