Orígenes
Um dos grandes contributos sobre o Velho Testamento veio, sem dúvida, das mãos deste erudito. O seu trabalho, atendendo aos recursos da época, foi de grande importância e um assinalável esforço quer humano, quer financeiro. Orígenes construiu um texto comparativo entre várias traduções da Bíblia que recebeu o nome de Héxapla por se desenvolver em seis colunas. “Calcula-se que o texto chegava a cerca de 6 500 páginas num total de 15 volumes”[48]. Nesta obra, poder-se-ia encontrar o texto em hebraico (em letras hebraicas e em letras gregas), a tradução de Áquila, a tradução de Símaco e a tradução de Teodocião, a versão do LXX[49] e ainda um comentário, onde Orígenes procurava apresentar as diferenças encontradas entre os textos hebraicos e a versão dos LXX. Estas diferenças eram dissipadas com recurso às outras traduções mencionadas[50]. Durante bastante tempo a obra de coletar, juntar, comparar e comentar realizada por Orígenes foi utilizada para o estudo e tradução das Escrituras.
Atanásio
Atanásio dividiu os livros do Velho Testamento em três grupos na sua 39.ª Carta Festiva: os canónicos, os apócrifos e os outros livros (livro da Sabedoria, Ben Sira, Ester, Judite e Tobias). “Comentando o segundo grupo de livros, os apócrifos, Atanásio defende-os como sendo enganadores e condenáveis, o terceiro grupo de livros, tal como acontecia com Orígenes é também recomendada para quem se inicia na fé”[52].
Jerónimo
Foi o responsável por uma tradução para o latim por ordem do Papa Dâmaso. Esta é a tradução conhecida como Vulgata Latina. Começou o seu trabalho olhando para o texto grego já revisto por Orígenes, mas, rapidamente voltou para os textos hebraicos, aos quais dispensou a sua maior atenção. “Jerónimo quis que, na delimitação do AT, prevalecesse a “Verdade Hebraica” dos 39 livros. Mas não conseguiu se impor. Sete livros apócrifos, traduzidos do grego e chamados também deuterocanónicos, permaneceram incluídos no texto latino da Bíblia”[52].
[48] Miller & Huber, 2006, p. 90
[49] Ou septuaginta
[50] Cf. Born, 1977, p. 1426
[51] Coimbra, 2011, p. 215
[52] Brakemeier, 2015, Cap. 1, par. 9