A DIVERSIDADE DO CANON NO  MUNDO CRISTÃO

A DIVERSIDADE DO CANON NO MUNDO CRISTÃO

CONCEITOS-CHAVE

Canon

A busca de uma definição consensual para o termo canon não é muito fácil, dado que o termo tem sofrido uma evolução ao longo dos anos. A ideia original do termo, de origem semita, estaria ligada a uma ideia de um instrumento de medir ou a uma medida padrão que serviria para medir[4]. A evolução deste termo foi no sentido de regra ou norma, tendo a sua aplicação também no campo eclesiástico, ou como escreveu Humberto Coimbra que “atualmente, a aceção mais comum deste termo deriva de uma compreensão metafórica que transmite o sentido de «regra» ou «norma»”[5]. No Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme podemos encontrar uma definição aplicada do termo: “Este termo refere-se a um corpo de textos sagrados considerados autoridade pelas diferentes comunidades religiosas na medida em que acreditam terem sido revelados ou inspirados por Deus”[6]. O termo parece ter alcançado com o tempo uma maior abrangência do que uma referência ao texto sagrado. Os patriarcas gregos e latinos serviam-se do termo Cânone atribuindo-lhe mais significados: por exemplo, listas de regras eclesiais, por conseguinte, leis canónicas; listas de santos ou heróis da fé, logo, de pessoas que são canonizadas”[7]. O professor Paulo Mendes Pinto, deixou uma orientação focada na necessidade de canonizar os textos sagrados e que nos ajuda a completar esta definição: “É ainda necessário ter em conta que canonizar um texto, literalmente, torná-lo sagrado, é efetivar uma dimensão de inalterabilidade que lhe confere um superior grau de eficácia (…)”[8]. Esta necessidade está ligada com a comunidade de fiéis a que lhes pertence e que os dirige, como aludiu o Padre Carreira das Neves “Não há cânone sem comunidades crentes com os textos canónicos, isto é, aceites como norma fidei – a Bíblia como norma de vida e fé”[9].


[4] Cf. Douglas, 1999, p. 247

[5] Coimbra, 2011, p. 206

[6] Minha tradução de: “Ce terme désigne un corpus de textes saints, faisant autorité, considérés comme tels par différentes communautés religieuses dans la mesure où ces dernières croient qu’ils ont été révélés ou inspirés par Dieu.” (Wigoder, 1993, p. 157)

[7] Cf. Lindberg, 2006, p. 25

[8] Pinto, p. 29

[9] Neves, S/d.

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