Um dos perigos subjacentes à sobrevalorização das emoções, prende-se com uma ideia distorcida acerca do bem-estar emocional, que está muito em voga presentemente, facto que pode ser confirmado pela quantidade de livros de autoajuda à venda, tanto em livrarias religiosas, como em livrarias seculares. E não será difícil de perceber o crescimento do número de pregadores a reforçar a ideia de que a fé é dependente do sentir. O perigo reside em que “o mundo das sensações pode desenvolver uma percepção distorcida da realidade, criando assim um universo paralelo dissociado das questões da fé. E pior ainda, criando um deus particular, que deve se manter em estado de prontidão para atender a todas as demandas que causem desconforto emocional.” Santos, 2011 Este viés de pensamento leva a crer que os problemas que se enfrentam na vida diariamente, o sofrimento, a doença são consequências de falta de fé ou de pecado oculto, ou seja, as emoções passam a ter um poder perturbador na vida dos cristãos. Desta forma deve ser salvaguardada a ideia de que as emoções nunca poderão servir de aio para a falta de maturidade espiritual. A expressão popular “segue o que sentes” é o oposto da convicção que deve nortear o cristão maduro. A Palavra de Deus tantas vezes adverte que o “coração do homem é enganoso…” Alguém orava da seguinte forma “Deus, não te vejo. E hoje, particularmente não te sinto. Mas sei que estás aqui, pois a tua Palavra me diz.”.
Sim, o nosso Deus é “o Deus racional que nos fez seres racionais e nos deu uma revelação racional” (Stott), sendo a razão um elemento da imagem divina inculcada no homem. Somos advertidos a que sejamos “adultos no entendimento.” (I Coríntios 14:20), e Paulo proferiu “… orarei com o espírito, mas ao mesmo tempo com a mente, cantarei com o espírito, mas igualmente com a razão.” I Coríntios 14: 15 (Bíblia King James atualizada). O desafio está em saber equilibrar e de alguma forma saber que “conduzir o ser humano ao amadurecimento emocional pela revelação de Cristo é não permitir que a religião cristã seja reduzida a sentimentalismos subjetivos que em nada contribuem para a maturidade da fé”, e saber que somos seres racionais, é certo, mas também emocionais. Como Stott descreve “não somos apenas mamíferos de sangue quente, mas seres humanos, capazes de sentimentos profundos de amor e de ira, de compaixão e de temor.”