O culto a Deus: um caminho, dois sentidos

O culto a Deus: um caminho, dois sentidos

2.Extremos

John Stott, na sua obra “Cristianismo Equilibrado”, faz um alerta para os perigos da polarização[1], sendo esta muito atual e visível na forma de cultuar a Deus. Tendencialmente somos pessoas de extremos. E estes acarretam a falta de equilíbrio. Neste texto apenas serão abordadas duas das polarizações mencionadas por Stott.

2.1 Intelecto e Emoção

A primeira refere-se a Intelecto e Emoção. O intelecto e as emoções devem estar presentes no culto a Deus. Se cremos ser pernicioso para a fé e para o desenvolvimento da maturidade cristã o culto a Deus muito voltado para a emoção, para os sentimentos, com ambiente de introspeção, estimulado desde a iluminação da sala, as letras e melodias dos cânticos, a música de fundo nos momentos de apelo ao altar e, por vezes, até durante a pregação da Palavra, não será menos perigoso para a fé alimentar apenas o intelecto, formando apenas crentes racionais, que calem os seus sentimentos e dúvidas, sem muito espaço para expressar as suas emoções de alegria, tristeza, quebrantamento diante do Senhor. O que são as emoções? Porque receamos tanto expô-las? Segundo Pinto (2001), a emoção é “um comportamento observável através do rosto, voz, gestos e posição corporal” e que tem suma importância quer em termos de adaptação e até de ajustamento social, ou seja, de alguma forma as emoções que vivenciamos ajudam na integração e na participação do culto a Deus. Facilitam a forma de receber a revelação de Deus e, de alguma maneira aguilhoa a aplicação individual. É interessante quando lemos a Palavra de Deus e percebemos como a emoção está subjacente na passagem de Lucas 24:32, sim, os seus corações foram tocados antes de perceberem a revelação diante deles “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?”.

[1] Representa os extremos que tendencialmente dividem as famílias cristãs. O autor na sua obra mostra que não precisamos de ser extremistas ou desequilibrados, mas se pudéssemos firmar os pés nos dois extremos, tenderíamos ao equilíbrio.

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