Cessacionismo

Cessacionismo

Título: Cessacionismo é considerado o ponto de vista teológico que defende que os dons espirituais, milagres, revelações e manifestações espirituais, como exorcismo, sonhos e visões se limitaram ao período apostólico.

Esses eventos são denominados de “a idade dos milagres” pelo seu expoente máximo, o teólogo Reformado Benjamin Breckinridge Warfield (1851-1921).

Historicamente, cessacionismo como doutrina e conceito, tem sua origem em João Calvino que desafiou o conceito Católico Romano e Reforma Protestante sobre a possibilidade de milagres e do exercício dos dons.

Esta é razão pelo qual Warfield demonstrou um ávido interesse em Agostinho de Hipona (354-430) e João Calvino (1509-1564), ambos pró cessacionistas.

Dentro deste estudo iremos cobrir vários temas centrais relacionados com esta teologia, tais como:                                                                                  

  1. Visão Cessacionista de Warfield
  2. Perspetiva Bíblica
  • 1 Coríntios 13.8: Uma passagem discutível?
  1. Evidências históricas
  2. O declínio e a diminuição dos carismas
  3. Conclusão

 

I) B. Warfield e o cessacionismo:

Na sua obra maior, Counterfeit Miracles defende que o Espírito de Deus realizou seu trabalho subsequente no mundo, não para introduzir novas revelações, mas para disseminar a revelação já completa, a fim de trazer ao mundo o conhecimento salvífico desta mesma revelação.

  1. O uso do termo subsequente e novas revelações por Warfield, exclui qualquer evidência carismática após o período apostólico, ou seja, na visão cessacionista, Cristo veio, seu trabalho foi feito, sua palavra está completa, nada há para acrescentar e isto inclui milagres.
  2. Ruthven replica que falar do trabalho subsequente do Espírito agindo apenas dentro do que Calvino define como a ordo salutis (ordem da salvação) indica que este conceito está aquém do Espírito do Novo Testamento.

A questão central é: será que o Espírito tem dispensado os dons à igreja hoje e se cada cristão pode e deve fazer exercício dos mesmos?

…Entre estes dons, a glossolalia, ou o exercício das línguas, é o mais proeminente destes dons ou faculdade, o que no conceito pentecostal/carismático é algo subsequente à conversão e santificação, conforme Atos.

…O NT parece fundamentar que o uso dos dons e o exercício do falar em línguas origina da mesma fonte, ou seja, do Batismo no Espírito Santo. Portanto, nos círculos pentecostais e carismáticos defende-se que numa teologia coerente do Espírito devese ter em conta a continuidade da promessa (contra cessacionismo), (At.9.17; I Co. 14.18; At.10.46).

  1. Um dos argumentos do cessacionismo é que a capacidade de operar milagres não foi além dos discípulos sobre os quais os apóstolos impuseram suas mãos. Assim que o número de discípulos diminuía a operação de milagres tornava-se cada vez menos frequente e cessou assim que o último individuo, sobre quem os apóstolos impuseram suas mãos, Bastante lógica esta afirmação.
  2. Contudo, os cessacionistas esquecem que o conceito de continuidade, no exercício dos dons no NT, não se limitava a imposição de mãos dos apóstolos, mas com a promessa da continuidade de At.2.39, que assevera que o dom do Espírito Santo estender-se-ia além do limite apostólico (At.1.4; 10.44).
  3. Além disso, temos Paulo, o qual operava nos dons e que, segundo a maioria, não é tido como sendo parte dos doze apóstolos e Barnabé, intitulado apóstolo, que também não era parte da escola apostólica do Cordeiro (At.14.14).
  4. O argumento do NT implica que a duração, o uso, o exercício dos carismas e da receção dos mesmos, não depende de uma função ou posição, mas sim na busca dos mesmos, pautados pelo arrependimento e obediência a Deus, pela fé e oração; “…tua fé te salvou”, “…tudo é possível ao que crê” (Mc.10.52; Lc.18.42); em contrapartida, onde não havia fé, Jesus não operou milagres (Mc.6.5,6; Mt.13.58).

II) Perspetiva Bíblica:

O argumento aqui centra-se em Mc 16.9-20. Warfield diz que esta passagem não foi entendida na Igreja Apostólica como sendo algo inseparável da fé, mas como no caso dos Samaritanos em At.8; os sinais seguiam não quem cria, mas aqueles sobre os quais os apóstolos impunham as mãos, conferindo-lhes autoridade.

  1. Os cessacionistas ignoram Lc.11.11-13, que diz; “E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.
  2. Portanto, os carismas são dados aqueles que pedem e não, através de algum ato cerimonial. Além disso Mc 9.38-40 menciona um anónimo, o qual apenas creu na mensagem pregada por Jesus e a pôs em prática.

…A comissão dos setenta prova a minha tese, a comissão dos dons é dada a quem crê (Lc.10.1-18).

  1. Os cessacionistas argumentam que esta passagem é de caráter apócrifo, portanto, não é de origem inspirada. De facto, Lane corrobora com a tese de Warfield, e diz que na mais antiga versão Grega e na patrística, as evidências concluem que Marcos termina o seu Evangelho em 16.8; isto é, também reforçado pela ausência de Mc.16.9-20 em outros manuscritos (e.g. Latina Antiga MS K; Siríaca Sinaítica; Versão Etíope), as quais afirma o fim abrupto em Mc.16.8.[1]
  2. Sem dúvidas, contra fatos não há argumentos, mas objeto. Ainda que seja discutível que o texto não seja de origem canónica, outras passagens no NT reforçam a tese contida ali (e.g. At.2.4; 8.4; 10.44; 19.6; 28.3-6; ( também 1 Cor. 14.18).
  3. João 14.12 e 16.7 concorda com Mt.28.20b; Mr.16.15-19; Lc.24.49 e At.1.8 no que diz respeito à presença contínua e real de Jesus com seus discípulos. Pate nota que Jesus gerou esperança em seus discípulos, ensinando que sua ausência seria suplantada pela presença constante do Espírito com e neles.[2]

…Portanto Jo.14.2; 16.7; At.1.1,8 e 2.29 indicam a continuação dos dons através dos séculos e não apenas para o período apostólico.

  1. Em At.2.16-21, Pedro cita o profeta Joel em cumprimento do dia de Pentecostes. O termo “últimos dias” compreende o período entre o dia de Pentecostes e o evento da parousia.[3]
  2. Segundo James Dunn, embora At.2.39 indique a restauração nacional de Israel e ao retorno do exílio, o texto também indica a aceitação dos Gentios na família de Deus, os quais juntos formam a semente de Abraão (cf. Gl.3.6-14; At.3.25).[4]2.5 indica a universalidade da promessa, nações.

Conclusão: os cessacionistas, em sua conspiração contra os movimentos pneumáticos, não têm em conta o Espírito Profético que iria ser derramado sobre as gerações vindouras que cressem, iniciando com aqueles do período do NT (cf. Is.47.3; 59.21; Jl.2.28-32; At.2.4,38).

I Co.13.8: uma passagem discutível?

Por regra, a controvérsia para a continuidade dos dons centra-se em poucos textos, como por exemplo 1 Co.13.8-10.

  1. Eruditos cessacionistas usam este texto, o qual diz “…O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”.

…Insistem que Paulo não se refere a um futuro distante, mas de uma perfeição e plenitude imediata, quando a Igreja atingisse o estágio da infância à maturidade (cf. Ef.4.16), uma forma de escatologia realizada, algo para o tempo apostólico; portanto, uma vez alcançada esta maturidade espiritual os carismas chegariam ao fim.

  1. Contudo, eruditos carismáticos defendem que “o que é perfeito” aponta para o evento da parousia (1 Co.13.12), ou seja, profecias, as línguas, revelações, milagres, coisas vistas como prenúncio das realidades celestiais cessam sua função terrena, tornam-se obsoletas.

…Deus estando presente não há necessidade do profeta, sua voz em sua ausência;[5] a profecia cessa sua função de predição e as línguas como meio de comunicação acerca de Deus irão a fortiori ser silenciadas.

Conclusão: Assim, não é deixado alternativa para os cessacionistas, pois eruditos de vários segmentos cristãos suportam a continuidade dos dons e carismas para além da era apostólica. O próprio contexto da passagem reforça o argumento. Como tal, os dons e carismas têm seu lugar e importância, ainda que seja limitado e temporário.

Evidências históricas

De modo geral cessacionistas extremistas, como Warfield, consideram milagres como adições à doutrina cristã, ou seja, alegar receção de uma revelação ou milagre é adicionar conteúdo à Bíblia.

…Considerar milagres como adição ao conteúdo bíblico é zelo extremo. De facto, nada consta no NT que o Espírito de Deus não iria continuar repartindo seus carismas com a Igreja, contudo, cessacionistas em seu zelo excessivo afirmam que os dons cessaram e em termos históricos nada prova que os mesmos ocorreram na história da Igreja.[6]

  1. Contudo, citando Irineu, séc. II e Eusébio, séc. IV, como provas históricas, David Allen diz que eles a continuação dos dons espirituais me seu tempo…[7]
  2. Stanley Horton, conhecido entre nós brasileiros, diz que dons e carismas sofreram uma decadência e esfriamento devido a decadência espiritual da Igreja.[8]
  3. Dons e carismas eram normativos na Igreja no séc. II. O Pastor de Hermas e o Didachê confirmam o exercício destas faculdades espirituais.[9]

Conclusão: assim, há evidências que os dons e carismas do Espírito Santo continuaram no II século e além, o seu esfriamento deveu-se à institucionalização da Igreja. Porém, não há causas sem efeito ou efeito sem causa.

Houve reações a esta letargia institucionalizada da liderança de então. Erickson diz; “…há evidências históricas que os carismas continuaram através da história da Igreja até ao presente, ainda que em menor escala e em grupos isolados; certamente, o uso dos carismas fez com que estes grupos ganhassem novo fôlego espiritual.”[10]

A diminuição e o declínio dos dons.

Existem vários movimentos de reação à letargia no curso da história da Igreja. Vamos apenas falar de alguns.

Orígenes (185-254 D.C.) diz que, embora um declínio do uso dos dons fosse notório, manifestações carismáticas ainda ocorriam na vida dos que regulavam suas vidas pelos preceitos do Evangelho.[11]

Neste caso podemos citar os Montanistas (179 D.C.), os Pais do Deserto (251-356 D.C.), os quais deram vida ao movimento monástico, Bede (673 D.C.),[12] Hidelgard of Bingel (1098 D.C.).[13]

Alguém pode perguntar: não deve haver harmonia entre a manifestação do Espírito e a doutrina bíblica? Isto também se aplica aos modernos movimentos carismáticos contemporâneos, pois a fé não se separa da doutrina. Portanto sim, deve haver uma correlação entre a ação do Espírito e a ortodoxia bíblica e vice-versa.[14]

  1. Isto levanta pertinentes questões sobre as pessoas e grupos citados acima. Eram os Montanistas, os Pais do Deserto, o Monasticismo[15] e outros corretos em sua doutrina? Claro que não. Todavia, levando em conta o ambiente e o contexto espiritual que eles viveram, creio que havia sinceridade de coração.
  2. Há evidências que entre eles houve profecia, visões, línguas e exorcismo.[16] Montanistas eram ávidos por mais de Deus,[17] . Eles injetaram um elemento pneumático na igreja do 2nd.[18]
  3. Em um tempo em que idolatria, tradição, legalismo, apostasia e institucionalização do Cristianismo eram visíveis, estes movimentos têm que ser vistos como meio de devoção e comunhão com Deus.

Nota: Mais tarde o movimento monástico se tornou sinónimo de paganismo.

Reforma Protestante!

Após uma breve introdução à continuação dos carismas através dos séculos, irei apresentar o que considero a pedra de toque ao aparecimento daquilo que é chamado de pré-Pentecostal ou proto Pentecostal movimento, a Reforma Protestante de 1517.

  1. A reforma catapultou o Cristianismo de volta às suas fundações originais,[19] mas também teve seu impacto negativo, visto que alguns reformadores como João Calvino defenderam que os carismas eram prerrogativas apenas da Igreja Primitiva.[20]
  2. Em minha conceção, Calvino e seus pares estavam equivocados, uma vez que a Reforma foi apenas mais uma peça fundamental no puzzle de Deus. Assim, a Reforma Protestante gerou a Palavra (λογος), a Palavra gerou o Espírito (πνευμα) e o Espírito gerou a unção e o poder (δυναμίς).

 

  1. I) Para começar, citamos os Quakers (treme-treme), fundado por George Fox (1624-1691 D.C.),[21] cujo ministério de cura e libertação foi marcado por centenas de milagres como prova dos carismas.
  2. Podemos também citar também os Camisards, um grupo em França, o qual experimentou um poderoso avivamento em fins do século XVII, em que manifestações em línguas foram evidentes em Francês fluente, quando eles apenas falavam um dialeto da França de então.[22]
  3. Profecias e o falar em línguas foram registadas nos cultos da Igreja Nacional Escocesa em Londres em 1831.[23] Seu pastor era Edward Irving (1792-1834 D.C.), o qual disse ao povo para não olhar para as línguas como algo banal, mas como o mover do Espírito.[24]
  4. Edward Irving cria que o Batismo e os dons do Espírito eram algo que devia ser experimentado por todos os cristãos de todos os tempos.[25] O corpo académico da Universidade de Edimburgo na Escócia considerou que as doutrinas e a prática dos dons espirituais por Irving e sua igreja estavam em linha com os ensinos do NT.[26]

Nota: Infelizmente houve uma divisão na Igreja, originando a Igreja Católica Apostólica, hoje uma mescla de Catolicismo, Anglo Saxonismo, Protestantismo e Evangelicalismo.

  1. II) Todos os movimentos carismáticos citados tiveram sua importância na agenda de Deus, contudo o Metodismo (1727 D.C.) é o mais importante de todos para nossa compreensão, dada sua influência sobre o movimento pentecostal do século XX.
  2. O Metodismo é o propulsor do Movimento Norte Americano de Santidade dos fins do século XIX, (e.g. Nazarenos, Igreja de Deus, Igreja de Deus da Profecia), os quais deram vida ao Movimento Pentecostal Moderno do século XX.[27]
  3. Luís Reis ensina que os pentecostais herdaram de Wesley a subsequente e instantânea experiência sobre santidade e elaboraram, baseados nisto, as suas crenças sobre o batismo no Espírito Santo.[28]
  4. A doutrina desenvolveu-se a partir da linguagem de perfecionismo e deu lugar a uma mais inclusiva terminologia bíblica de Batismo no Espírito, tendo glossolalia como sua evidência e, por conseguinte, a restauração dos carismas.

Nota: ainda que não haja evidências históricas que os metodistas praticaram os dons em sua origem, Wesley assumiu: “…que não há evidências que o NT ensine que os dons e milagres são para serem confinados ao tempo dos Apóstolos”.[29]

  1. Wesley cita os Huguenotes franceses e diz que novas línguas foram faladas entre eles, portanto, é um erro negar que o uso desta faculdade se perdeu no Cristianismo.[30]
  2. Assim, Wesley foi apologista da continuidade dos dons.

Nota: como é comumente sabido a tradição pentecostal atribui a William Seymour e ao avivamento da Rua Azuza como o início do Moderno Movimento Pentecostal.

Por um lado, concordo, uma vez que a despeito do ostracismo, o Movimento Pentecostal ganhou vida e se estabeleceu. Por outro lado, a história regista focos de avivamento entre os Huguenotes e Irvingtas.

Para além disso, Edward Irving falou da glossolalia como evidência do Batismo no Espírito Santo, antecipando assim a doutrina da evidência inicial. Infelizmente o ostracismo de então impediu o progresso destes grupos atrasando o estabelecimento dos carismas por um pouco de tempo.[31]

Conclusão: assim, as evidências sugerem que o fluir do Espírito sobreviveu além dos apóstolos por várias gerações. Penso que a frase de Jesus se aplica a Warfield e aos seus pares cessacionistas; “…não conheceis nem as Escrituras nem o poder de Deus”, (Mt.22.29; Mc.12.24).

 

Notas

[1]   Lane, W.L. The Gospel of Mark, Grand Rapids, Eerdmans Publisher, 1974, p. 600.

[2]   Pate, L., Missiology, Miami, Life Editions, 1987, p. .21.

[3]   Bruce, F.F., Book of Acts, Aberdeen, University Press,1962, p.69.

[4]   Dunn, J., The Acts of the Apostles, Peterborough, Epworth Press, 1996, p.33.

[5]   Morris, L., I Corinthians, Grand Rapids, Inter-Varsity Press, 1997, p.182.

[6]   ibid., p.893.

[7]   Allen, D., Ph.D Thesis, Signs and Wonders, University of London, 1990, p.21.

[8]   Horton, S., Doutrinas Biblicas, Springfield, Logion Press,1993, p.212.

[9]   Didache 13 and  Hermas Mand.11, By Bynum,A.,Northwest Nazarene University,Nampa,1999.

[10]  Erickson, M., op. cit, p.893.

[11]  Allen, D., Ph. D Thesis, op.cit., p.22.

[12]  Price, L. S., Bede A History of the English Church and People, Harmondsworth, Penguin Books, 1968, p.30.

[13]  ibid.p.41.

[14]  Allen, D., There is a River, op. cit., p.25.

[15]   Desert Fathers and Monasticism are seen as separated movements, they are interconnected, since the second is a continuation of the first, however in a more organised form.

[16]    Kydd, R., Charismatic Gifts in The Early Church, Peabody, Hendrickson, 1984, p.36.

[17]    Allen, D., There is a River, Milton Keynes, Authentic Media, 2004, p.14.

[18]    Berkhof, L., Ph. D Thesis by Allen, D., op. cit, p.22.

[19]    Allen, D., op.cit., p.59,61.

[20]    ibid., p.64.

[21]    ibid., p.68.

[22]    ibid., p

[23]  Allen, D., “The significance of Edward Irving”, Paraclete, vol.22, number 4, 1988, p.18.

[24]  ibid., p.18.

[25]  ibid., p.19.

[26]  Strachan, G., The Pentecostal Theology of Edward Irving, London, Longman &Todd, 1973, p.70.

[27]  Reis, L., Roots of the Pentecostal Movement, Queluz, Queluz Editions, 1990, p.3.

[28]  ibid., p.3.

[29]  Warfield, B. B., op. cit., p.128.

[30]  Weakley, C., The Holy Spirit and Power, Plainfield, Logos Edition, 1977, p.92.

[31]  ibid., p.4.

 

 

 

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